O ciclone bomba e algumas consequências para os barcos da “The Ocean Race”

Os modernos veleiros, e principalmente esses de competição da “Ocean Race”, possuem sistemas computacionais e de navegação para acompanhamento das condições de tempo e mar, especialmente de pressão atmosférica e ventos. O vento é fundamental e achar uma boa pista é importante.

Abaixo temos uma carta sinótica da Marinha do Brasil de 01/04/2023(12 horas zulu – 9 horas horário local) onde aparece o ciclone, considerado pelo Defesa Civil como “ciclone bomba”. Seu núcleo está no oceano entre Argentina e Uruguai, na latitude de 35° sul e longitude de 45° oeste. Os ventos associados a um sistema de baixa pressão (ciclone) no hemisfério sul sopram no sentido horário. Quanto mais baixa a pressão atmosférica no núcleo desse sistema, mais forte será o vento associado. Vento mais forte sobre oceano, maior ondulação. Imagine um prato de sopa e você assoprando. Quanto mais forte assopra numa direção maior a ondulação. Pensando nisso, e num veleiro, que se move principalmente com a força do vento, seu capitão decide sua pista. Precisa de maior velocidade se deslocará mais próximo do núcleo onde tem vento mais forte e seus riscos associados, como rasgar uma vela ou quebrar o mastro. Se estiver bem colocado, com folga, se deslocará para uma área com vento menos intenso, com menor risco.

Figura 1 – Carta sinótica de 01/04/2023 (12Z). Fonte: Marinha do Brasil

Observe as figuras 2, 3 e 4 abaixo. São modelos de vento – 10 m para os dias 1, 2 e 3 de abril de 2023.

Figura 2 – Modelo de vento 10 m – 01/04/2023 – 12 h local. Fonte: INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).

Figura 3 – Modelo de vento 10 m – 02/04/2023 – 12 h local. Fonte: INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).

Figura 4 – Modelo de vento 10 m – 03/04/2023 – 12 h local. Fonte: INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).

Perceba que o vento nos dias 1 e 2 (sábado e domingo) eram da direção de sudoeste e sul. Para os barcos que estavam navegando para Itajaí nesses dois dias pegaram ventos mais fortes e numa direção que empurrava os barcos. Essa condição ajudou os barcos a navegarem mais rápido. Já para os barcos atrasados, perceba que o vento no dia 3 (segunda-feira) entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina é da direção nordeste e mais fraco. Essa direção (de frente) e a intensidade mais fraca prejudica os barcos que estão navegando em nossa direção. Eles terão menos tempo para descanso e reparos.

As figuras 5 e 6 trazem a direção e intensidade do vento das estações meteorológicas do INMET das cidades de Rio Grande (RS) e Laguna (SC). Observe a direção e intensidade do vento nos dias 1, 2 e 3. No dia 1 tivemos rajadas de vento de 40 km/h em Rio Grande e 80 km/h em Laguna. Já o vento médio era de 20 km/h em Rio Grande e 60 km/h Laguna. No dia 3, o vento médio era da direção de nordeste e mais fraco. Ontem, dia 4, o vento mudou para direção sul, e hoje para sudeste, se mantendo, facilitando a navegação dos barcos mais atrasados, que chegaram hoje pela manhã.

Figura 5 – Estação meteorológica de Rio Grande – RS (INMET). Fonte: EPAGRI/CIRAM

Figura 6 – Estação meteorológica de Laguna – SC (INMET). Fonte: EPAGRI/CIRAM

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Autor: labclima

Climatologia Meteorologia

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