A primavera de 2019.

Orquídea silvestre. Fonte: Autor.

A primavera astronômica (equinócio) começará nessa segunda-feira (23) às 4 horas e 50 minutos. A primavera climatológica começou junto com setembro. O equinócio é quando noite e dia tem a mesma duração. A primavera é uma estação de transição, primeira parte com características do inverno, segunda parte do verão. Suas maiores características são sentidas nas zonas temperadas, e menor nas zonas quentes e frias. É uma estação de transição, tanto, que começará com frio devido a influência de uma massa de ar polar sobre a região sul.

A primavera desse ano estará sob a influência da neutralidade climatológica (figura 1), ou seja, nem El Niño que terminou (figura 2), e nem La Niña.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.
Figura 2: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

A principal característica da neutralidade climatológica é a variação (temporal e espacial), tanto para precipitação como para temperatura. Chove mais num lugar, menos noutro. Esfria bem, logo em seguida esquenta, ou vice-versa. Os modelos internacionais apontam tendências mais próximas. Para precipitação ficaria igual ou acima da média para os meses de outubro e novembro, e dentro da média histórica para dezembro. Quanto a temperatura igual ou acima da média para outubro, e dentro da média para novembro e dezembro. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) coloca chuva e temperatura igual e acima da média histórica para o trimestre. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) junto com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) no seu Boletim Climático para o Rio Grande do Sul, que cobre também nosso estado, indica chuva dentro da média para os meses de outubro e dezembro, e igual e abaixo da média para novembro. Quanto as temperaturas ficariam dentro da média histórica.

Para a região de Itajaí as médias históricas para precipitação são de 155, 150 e 161 mm para o trimestre outubro, novembro e dezembro. Quanto a temperatura adotamos a média das mínimas e das máximas, pois seria o comportamento médio esperado para o trimestre. Para as mínimas valores de 16,8°C, 18,3°C e 20,0°C. Para as máximas 24,7°C, 26,7°C e 28,7°C respectivamente.

A média dos dias de chuva, onde ocorre alguma precipitação, são de 15 dias para outubro e novembro e de 16 dias para dezembro. O vento predominante muda para a direção de nordeste, e secundário de sudoeste para outubro, sudeste para novembro e norte para dezembro.

Lembrando que pela aproximação do sul do continente temos entrada de frentes frias e suas consequências até o fim da primavera, ou seja, mesmo que tardiamente pode ocorrer ondas de frio. Outros reflexos desses sistemas são maré meteorológica e seus impactos na costa.

Ótima primavera a todos.

O inverno de 2019.

O inverno astronômico começou hoje às 12 horas e 54 minutos com o solstício do inverno, quando nosso hemisfério está menos inclinado em direção ao sol, e assim recebendo menos energia. O inverno deste ano estará sob a influência do El Niño fraco, beirando a neutralidade climatológica.

Dados do NCEP (Center for Weather and Climate Prediction) indica esse fenômeno de forma fraca, e a partir de julho o início da neutralidade climatológica (figura 1).

Figura 1: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Já dados do IRI (International Research Institute for Climate and Society ) indica a continuação desse fenômeno de forma fraca até janeiro de 2019 (figura 2).

Figura 2: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

As características mais gerais do El Niño para a região sul é maior precipitação e calor. Na neutralidade temos uma maior variação. Lembrando que o mês de maio tivemos chuvas 60% acima da média histórica para a região, contudo nesse mês de junho, até a presente data, e sem indicativos de volumes mais intensos, terminará com chuvas abaixo da média. Até hoje choveu somente 31% do esperado para o mês. Quanto as temperaturas estão mais altas, entorno de 2,5°C acima da média das mínimas e máximas.

Dito isso os modelos não indicam consenso. Alguns colocam chuva acima da média, principalmente para o Rio Grande do Sul e para o sul de Santa Catarina (setembro).

O que esperar para nosso inverno? Em termos de chuva ficará na média e abaixo da média para os meses de julho e agosto, e na média para o mês de setembro. Quanto as temperaturas ficarão acima da média para o trimestre de julho/agosto/setembro. Contudo o frio mais intenso será por meio de ondas de frio, ou seja, períodos menores de frio após passagem de frentes frias mais fortes.

O comportamento esperado (histórico) da média das temperaturas máximas e mínimas para esse trimestre é de 21,0/22,0/22,4°C e 12,0/13,0/14,4°C respectivamente. Para as chuvas são 120/92/145 mm. Os ventos predominantes são de sudoeste para julho e nordeste para agosto e setembro.

Nessa estação também temos a intensificação de nevoeiros, principalmente os radiativos. Esses se desenvolvem pelo esfriamento intenso do solo que condensa o ar acima, e se dissipam com a chegada do sol.

Frente fria no fim de semana.

Observe a imagem de satélite desse início de manhã nebulosidade presente no estado, fortes áreas de instabilidade sobre a Argentina e sudoeste gaúcho, e uma frente fria entre a Argentina e o Uruguai. Esse sistema passará por nossa região no sábado trazendo pancadas de chuva e trovoada isolada.

Imagem do satélite GOES 16/NOAA/EUA – Canal do Infravermelho + realce – dia – 08/03/2019 – Hora local: 07:30 – Sul do Brasil. Fonte: RAMSDIS Online – Central and South America and the Caribbean, Cooperative Institute for Research in the Atmosphere, Colorado State University, EUA, modificado por LabClima/UNIVALI.

Nessa sexta-feira sol acompanhado de nuvens. Condições de chuva com trovoada isolada à noite. O sábado terá muitas nuvens, aberturas de sol, chuva a qualquer momento com trovoada isolada. O domingo começará com mais nuvens, períodos de sol e chuva fraca ocasional.

Faz calor hoje e amanhã com máximas de até 33°C. O domingo será mais fresco com temperaturas entre 22/27°C. Ventos de noroeste e nordeste para hoje. Amanhã e domingo ventos de sudoeste e sudeste com rajadas fortes. No domingo teremos rajadas de até 50 km/h.

Em nossas praias ondas entre leste e nordeste para hoje e amanhã com meio metro. Para o domingo ondas de leste com variação para sudeste dependendo da praia. Começa com meio metro e aumentará no decorrer do dia. Alguns modelos indicam ondas de até 1,5 metros ou séries maiores. Períodos superiores a 9 segundos. Essa condição permanecerá na segunda-feira.

Fora da costa mar agitado com ondas de até 2,5 metros no domingo, chegando a 3,5 metros na segunda-feira. Ventos superiores a 35 nós no domingo e parte de segunda-feira no entorno de 47W em Charlie e parte de Bravo.

O verão começa hoje com pancadas de chuva e trovoada.

Primeiro o tempo para o fim de semana e natal. Hoje áreas de instabilidade vindas pelo interior formarão um sistema de baixa pressão. Esse sistema se intensificará e formará uma nova frente fria sobre o oceano na madrugada desse sábado. Assim essa sexta-feira terá sol acompanhado de nuvens com pancadas de chuva e trovoada a partir do final da tarde. Essa condição se repetirá no sábado. Para esses dois dias espera-se volumes maiores, que somados com as chuvas de quarta e quinta-feira, amenizará a estiagem ao menos para as festas de fim de ano. Para domingo, segunda e terça-feira teremos muitas nuvens, algumas aberturas de sol e chuva fraca ocasional. Faz calor hoje e amanhã com máximas de até 34°C. A partir de domingo o calor dará uma trégua. Teremos mínimas entre 19/22°C e máximas entre 24/26°C. Em nossas praias ondas de leste com até meio metro. Observe a imagem de satélite desse início de manhã fortes áreas de instabilidade sobre o Rio Grande do Sul.

Imagem do satélite GOES 16/NOAA/EUA – Canal do Visível – dia 21/12/2018 – Hora local: 07:00 – Sul do Brasil. Fonte: RAMSDIS Online – Central and South America and the Caribbean, Cooperative Institute for Research in the Atmospere, Colorado State University, EUA, modificado por LabClima/UNIVALI.

O verão 2018/2019.

O verão astronômico começa hoje às 20 horas e 23 minutos, ou seja, nosso solstício de verão onde estaremos mais inclinados ao sol, e assim teremos o dia mais longo do ano. O verão climatológico já começou com o mês de dezembro e sobre a influência de El Niño fraco. O mesmo ficará conosco no mínimo até abril, ou seja, até o outono (figuras 1 e 2). Lembrando que o El Niño é um fenômeno oceano-atmosférico caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico Tropical.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.
Figura 2: Temperatura da superfície do mar. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

O verão é caracterizado pelas altas temperaturas e pelos maiores volumes de chuva.

A média das temperaturas mínimas é de 21°C, 21°C e 20°C para o trimestre (janeiro, fevereiro e março). Já a média das máximas é de 30°C, 30°C e 29°C respectivamente. Usamos a média porque demonstra o comportamento médio esperado das temperaturas. Por exemplo: a média para dezembro é de 28°C e nos últimos dias a temperatura está sempre acima dos 30°C, ou seja, está mais quente do que o esperado. Os modelos indicam para essa estação temperaturas na média, um pouco acima da média.

Já para as chuvas a média histórica para o trimestre é de 223, 187 e 182 mm. Os modelos nacionais e internacionais sem consenso indicam comportamento distintos. Os institutos nacionais indicam chuvas na média ou levemente acima, em boa parte da região sul e inclusive na parte leste, onde estamos inseridos. Alguns modelos internacionais indicam volumes distintos para áreas distintas. Colocam chuva acima da média histórica para áreas no Rio Grande do Sul e parte do oeste catarinense. Para nossa região dentro da média para janeiro e fevereiro, e acima da média para março. Vamos acompanhado.

Encerrando a chuva mais característica para a estação são as convectivas, ou seja, pancadas de verão, que dependendo das condições são acompanhadas de trovoada e ventos mais fortes. Também vale lembrar que pela nossa posição geográfica é comum a passagem de frentes frias. Em Itajaí temos registrado temperatura de 12°C em janeiro. A máxima recorde foi de 38,4°C em dezembro. Finalizando as características mais gerais do El Niño para nossa região é maior calor e mais chuva, assim poderemos ter um verão assim. Bom verão a todos.

Frente fria avança pela região sul. O calor continuará. E a chuva?

Observe imagem de satélite dessa manhã o avanço de uma frente fria pela região sul do país. No sábado nova frente fria se deslocará em direção ao estado associada a áreas de instabilidade.

Condições de pancadas de chuva com trovoada isolada a partir do final da tarde de hoje. Para amanhã e sexta-feira sol com variação na cobertura de nuvens e pancadas de chuva rápidas devido ao calor. No sábado chance de pancadas de chuva com trovoada ao final da tarde/noite. No domingo teremos sol com pancadas de chuva, especialmente à noite com trovoada.

O calor continuará com máximas entre 28/33°C. Em nossas praias ondas de leste com alguma variação para nordeste com meio metro.

Imagem do satélite GOES 16/NOAA/EUA – Canal do Visível – dia 12/12/2018 – Hora local: 10:30 – Sul do Brasil.  Fonte: RAMSDIS Online – Central and South America and the Caribbean, Cooperative Institute for Research in the Atmospere, Colorado State University, EUA, modificado por LabClima/UNIVALI.

E a chuva?

Estamos com chuva abaixo da média histórica desde abril do corrente ano (dados da estação meteorológica do INMET situada no bairro Itaipava em Itajaí). Alguns meses bem abaixo como abril (25% do esperado) e julho (15%). Outros próximos como outubro (97% do esperado) e novembro (72%). Nesse mês de dezembro, por enquanto, somente 3,5% do esperado. Os atuais modelos, mas sem consenso, apontam para uma recuperação nos próximos 10 dias. Alguns indicam até 60 mm, outros menos, entorno de 20 mm. Os maiores volumes são aguardados entre segunda e terça-feira, depois somente pancadas de chuva rápidas. Dá uma pequena folga, mas não resolve muito, porque continuaremos com calor, e assim, maior evaporação nos mananciais e consumo da população. Vamos observando, enquanto isso, devemos economizar.

Primavera de 2018.

No próximo sábado (22/09) às 22 horas e 54 minutos começará a primavera astronômica, ou seja, nosso equinócio de primavera, onde o dia e noite terão a mesma duração. A primavera climatológica começou com o mês de setembro.

A primavera é uma estação de transição – sua primeira parte mantém algumas características do inverno, e na segunda parte, do verão. Na primeira parte, mesmo com aumento gradativo da temperatura, ainda temos passagens de frentes frias, e depois entradas de massas de ar polar. A média das temperaturas mínimas e máximas para os meses de setembro, outubro e novembro é de 16,6/24,4°C, 18,1/26,5°C e 19,7/28,3°C. Essa média é importante para termos ideia do comportamento esperado para nossas temperaturas mínimas e máximas diárias. A temperatura mínima recorde foi de 3,4°C em setembro de 1981, e a máxima de 35,8°C em novembro de 2002.

Na região sul, e assim em nossa região, a primavera é a estação de recuperação das chuvas, já que há uma diminuição no outono e inverno. Na primavera do ano passado tivemos chuvas abaixo da média histórica. Nesse ano somente os meses de janeiro e março tiveram chuvas acima da média,  considerando os dados da estação meteorológica de Itajaí do Instituto Nacional de Meteorologia. Lembrando que a primavera do ano passado e parte desse ano estávamos com neutralidade climatológica. A média de chuva esperada para o trimestre (set/out/nov) é de 146, 157 e 152 mm respectivamente. O recorde de chuva nessa estação foi registrado no mês de novembro de 2008, com 725 mm (bairro Itaipava, Itajaí). Na estação meteorológica da Univali (centro, Itajaí) foi de 570 mm.

Essa primavera estará sob a influência do El Niño (figura 1), aparentemente com intensidade fraca (figura 2).

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO.  Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.
Figura 2: Temperatura da superfície do mar. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Com a condição de El Niño (aquecimento anormal do Oceano Pacífico Tropical) os modelos atuais, nacionais e internacionais, apontam para chuvas na média e acima da média histórica. Alguns modelos colocam chuvas entre 25 a 50 mm acima da média histórica. Para as temperaturas os modelos indicam valores acima da média histórica. O inverno teve temperaturas dentro e abaixo da média histórica, comportamento típico da estação, e a primavera, será um pouco acima, mais quente.

Finalizando é esperado em média de 15 dias de chuva/mês, e o vento predominante é de nordeste, e a segunda direção é de sudoeste.

Nosso inverno de 2018.

O inverno astronômico começará amanhã (21) às 7 horas e 7 minutos e terminará no dia 22 de setembro. O inverno astronômico está ligado ao solstício de inverno, onde teremos a noite mais longa do ano, por receber menor quantidade de radiação. O inverno climatológico começou com o mês de junho.

O nosso outono não foi influenciado nem por La Niña como pelo El Niño, ou seja, estávamos sob neutralidade climatológica. A mesma prevalecerá até o final do inverno, quando a tendência é irmos para as condições de El Niño, mas por enquanto com intensidade fraca. A neutralidade traz uma maior variação para nosso clima. Observe a figura abaixo com o prognóstico do El Niño/La Niña para os próximos meses.

Fonte: International Research Institute for Climate and Society, Earth Institute, Columbia University, USA.

Qual comportamento esperado? Os principais modelos apresentam algumas diferenças. Para a temperatura apontam que a mesma ficará dentro da normalidade ou levemente acima, algo não superior a 1°C. Para a precipitação dentro da normalidade ou levemente acima para agosto e em menor escala para setembro.

Nosso outono já foi com pouco chuva. Somente o mês de março choveu mais que a média histórica. Os meses de abril, maio e até agora junho, com chuvas na metade do que era esperado.

O inverno historicamente é a estação de menor precipitação no sul do Brasil e também em nossa região. A média histórica é de 120 mm para julho, 92 mm para agosto e 145 mm para setembro em Itajaí.

Vamos pensar em temperatura. O comportamento mais próximo do dia a dia é a média das mínimas e máximas. Assim a média das mínimas para o trimestre de julho, agosto e setembro é respectivamente de 12, 13 e 14,4°C. Já as máximas são 21, 22 e 22,4°C.

Um exemplo: a média das mínimas esperadas em junho é de 12,9°C e a máxima de 21,9°C. Hoje tivemos mínima de 15,3 e máxima de 23,4°C, ou seja, foi um dia mais quente que o esperado.

No mês de agosto de 1991 ocorreu a menor mínima em Itajaí com 0,5°C negativo (recorde de frio). A máxima no inverno foi em agosto de 1993 com 36°C (recorde de calor para o inverno).

No inverno temos um maior número de passagens de frentes frias. Temos uma nessa sexta-feira e outra no domingo. A de sexta-feira pouco alterará o tempo bom, mas a de domingo trará chuva. Também aumenta as condições de nevoeiros mais densos, bem como ciclones extratropicais que trazem reflexos em nossa costa.

Finalizando o inverno começara com tempo bom. O sol aparece com alguma variação na nebulosidade e nevoeiros isolados. A chuva chegará no domingo à tarde.

No mais aproveitem essa estação charmosa.