Anomalias significativas e eventos climáticos de junho de 2022.

Por Murilo Soares, Oceanógrafo

A temperatura média global continuou com a tendência notavelmente quente de 2022, já que tanto o mês junho, quanto o ano até agora ficaram em sexto lugar como o mais quente já registrado.

Além disso, o gelo marinho global atingiu mínimos quase recordes no mês passado, com a Antártida tendo sua menor cobertura de gelo em junho já registrada, de acordo com cientistas NCEI (National Centers for Environmental Information) da NOAA (National Oceanic & Atmospheric Administration).

Analisando o clima com alguns números de junho de 2022:

A temperatura média da superfície global (terra e oceano) foi de 0,87°C acima da média do século 20 de 15,5°C, tornando o sexto mês mais quente no recorde de 143 anos.

Junho de 2022 foi o 46º junho consecutivo e o 450º mês consecutivo com temperaturas acima da média do século XX. Desde 2010 foram registrados os dez junhos mais quentes.

Olhando apenas para a temperatura da terra, junho de 2022 foi o segundo junho mais quente do Hemisfério Norte já registrado com 1,56°C acima da média – atrás do recorde de junho de 2021. A Europa e a Ásia também tiveram registrada sua segunda temperatura terrestre mais quente nesse mês.

A primeira metade de 2022 ficou em sexto lugar mais quente, com uma temperatura global de 0,85°C acima da média do século 20 de 13,5°C.

De acordo com as “Perspectivas de Temperatura Anual Global” do NCEI/NOAA, há mais de 99% de chance de que 2022 esteja entre os 10 anos mais quentes já registrados, mas apenas 11% de chance de estar entre os cinco mais quentes.

A atividade dos ciclones tropicais se manteve na média para junho de 2022, que produziu cinco tempestades nomeadas em todo o mundo, o que é normal para junho. Apenas um deles, o furacão Blas no Pacífico Oriental, atingiu a força do ciclone tropical (120 km/h). Embora a tempestade tropical Alex de junho, tenha sido apenas uma tempestade tropical por aproximadamente 30 horas, foi a primeira tempestade nomeada do Atlântico da temporada.

Grande parte da América do Sul experimentou temperaturas próximas das mais frias do que a média normal para o mês de junho, com isso tivemos o mês mais frio desde o ano de 2006.

Texto adaptado de National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) – News & Features de 14/07/2022.

Link da matéria: https://www.noaa.gov/news/june-2022-was-earths-6th-warmest-on-record

Figura 1 – Anomalias e eventos climáticos significativos selecionados: junho de 2022. Fonte: NOAA/EUA.
Figura 2 – Percentis de temperatura terrestre e oceânica junho de 2022. Fonte: NOAA/EUA
Figura 3 – Temperatura média da Terra e do Oceano de junho de 2022. Fonte: NOAA/EUA.

Inverno de 2022

Amanhã às 6 horas e 14 minutos começará o inverno astronômico com o solstício de inverno de 2022. O dia será mais curto e a noite mais longa. Essa é uma característica dessa estação, e assim será nos próximos dias, com amanhecer tardio e anoitecer mais cedo. Esse inverno estará sob a influência da La Niña com intensidade fraca. A La Niña atua desde julho de 2021 (figura 1), e se manterá no mínimo até novembro (figura 2). A La Niña tem como características gerais para a região sul temperaturas mais amenas, ou seja, o inverno mais frio, um verão mais fresco. Também influencia o regime de chuvas, trazendo irregularidade na precipitação, tanto no espaço, como no tempo. Assim pode chover bem numa região, e noutra não. Estiagem, e logo após, chuvas concentradas. Lembrando que a intensidade está fraca, e assim atenua essas características, como também outros fatores regionais e locais que influenciam.

Figura 1: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Figura 2: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Não há um consenso entre os modelos internacionais e nacionais, mas algumas proximidades nos prognósticos. Quanto a precipitação para o trimestre de julho, agosto e setembro indicam chuva abaixo da média histórica. Alguns modelos colocam 50% de chance de chuva abaixo da média para julho, 40% para agosto e setembro. No interior do estado a chance aumenta para 50% em setembro. Quanto a anomalia negativa chance de 50 mm de chuva no litoral e 100 mm no interior. Importante lembrar que o inverno é a estação menos chuvosa na região sul, mas geralmente com histórico de chuvas bem distribuídas. A média histórica de chuva para julho é de 111 mm, de 90 mm para agosto e de 142 mm para setembro. Não se descarta a possibilidade de chuvas pontuais intensas no decorrer da estação.

Quanto a temperatura os modelos apresentam maiores discrepâncias. O modelo nacional do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) indica temperaturas na média/abaixo da média para julho e agosto, e na média/acima da média para setembro. O modelo internacional da Universidade da Columbia (EUA) coloca temperaturas na média para julho e setembro, e acima da média para agosto. O modelo americano do NCEP/NOAA (Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service) coloca temperaturas na média histórica, e alguma anomalia leve acima da média histórica. Utilizamos a média das temperaturas máximas e mínimas como melhor padrão para equalizar as temperaturas diárias. Para o mês de julho temperaturas de 21/12°C, 22/13°C para agosto e 23/14°C para setembro. A média histórica de dias com chuva para o trimestre é 11/10/13 dias respectivamente. É provável ondas de frio mais intensas durante o trimestre.

O vento predominante para o trimestre é de sudoeste em julho, e nordeste para agosto e setembro. A média da umidade relativa do ar histórica é de 85% para o trimestre.

Outras características do nosso inverno são os nevoeiros nas madrugas e amanhecer, bem como, mais isoladamente, os nevoeiros marítimos. Temos a maior passagem de sistemas frontais frios. Ocorrência de ciclones mais ou menos intensos, que dependendo da posição, trazem ventos mais intensos sobre o estado. Quando no oceano facilitam a ocorrência da maré meteorológica sobre o litoral e seus efeitos – ressaca e alagamentos dos baixios.

Ótimo inverno à todos nessa estação charmosa.

Semana de muitas nuvens com chuva ocasional.

A primeira semana de outono começa com a atuação da circulação marítima, e por consequência maior nebulosidade com chuva ocasional sobre o litoral e parte do planalto. A partir de quarta-feira áreas de instabilidades avançarão vindas do interior. Na quinta-feira uma nova frente fria no Rio Grande do Sul se deslocará em direção ao nosso estado, passando por aqui na sexta-feira. No sábado uma mistura de áreas de instabilidade remanescentes da passagem da frente fria e circulação marítima. No domingo predomínio da última. Dessa forma será uma semana com a presença constante das nuvens, alguns períodos de sol e condição de chuva diária. Volumes maiores são esperados para o sábado e domingo. Observe a imagem de satélite muitas nuvens no litoral e planalto catarinense nesse início de manhã.

Imagem do satélite GOES 16/NOAA/EUA – Canal True-Color + IR 10,35 µm – dia – 21/03/2022 – Hora local: 08:10 – Sul do Brasil. Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)/Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)/Divisão de Satélites e Sistemas Ambientais (DAS) modificado por LabClima/UNIVALI. Clique para ampliar.

A semana começa com temperaturas mais baixas entre 17/25°C, mas esquenta a partir de quinta-feira com temperaturas entre 21/31°C. No domingo temperaturas mais amenas entre 22/27°C.

Ventos variáveis. Para segunda e parte de terça-feira vento da direção de sudeste. Depois predomínio do nordeste. No sábado e domingo ventos de sudoeste e sudeste. Até quinta-feira a intensidade ficará entre calmaria e vento suave. Rajadas mais fortes (40 km/h) até quarta-feira.

Em nossas praias ondas variando entre as direções de sudeste e leste. O tamanho médio ficará entre meio e 1 metro, dependendo do pico. Chance de séries maiores.

Fora da costa mar agitado até quinta-feira com ondas entre 1 e 3 metros. Restrição para embarcações de pequeno porte.

O outono já começou!

Nosso outono astronômico (equinócio de outono no hemisfério sul) começou ontem às 12 horas e 33 minutos. Assim ontem tivemos a mesma duração entre dia e noite. Esse outono de 2022 terá a influência da La Niña, mas enfraquecida. Observe as figuras 1 e 2 indicando que a partir de julho teremos neutralidade climatológica, permanecendo assim até o fim deste ano.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Figura 2: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Por consenso os modelos internacionais indicam chuva abaixo da média para o trimestre de abril, maio e junho, e na média para o litoral em junho. Lembrando que é possível ter chuvas pontuais mais significativas na passagem de uma frente fria, no deslocamento de áreas de instabilidade e chuva fraca persistente por causa da circulação marítima. A média histórica para a região de Itajaí é de 122 mm em abril, 118 em maio e 112 mm em junho.

As temperaturas para maioria dos modelos ficarão na média e acima da média histórica. Para o mês de abril alguns modelos indicam temperaturas abaixo da média. A média das temperaturas máximas para o mês de abril é de 27°C, 24°C para maio e 22°C de junho. As mínimas no mês de abril é 18°C, 15°C em maio e 13°C em junho. Esse é o comportamento esperado para as temperaturas máximas e mínimas conforme o histórico de Itajaí.

Finalizando a primeira parte do outono mantém características do verão, e para a segunda parte se intensifica as do inverno. Com o decorrer do outono teremos mais sistemas frontais chegando em nossa região, condições de maré meteorológicas como desse fim de semana, e entrada pontuais de massas polares trazendo frio mais intenso.

A primavera começa hoje!

A primavera astronômica começa hoje às 16 horas e 21 minutos com seu equinócio. Hoje temos incidência da luz solar igual, e assim duração igual do dia e noite. A primavera climatológica começou junto com o mês de setembro. Essa estação estará sob a influência de uma La Niña fraca (figura 1). De modo geral para a região sul do país a La Niña traz distribuição irregular de chuva, tanto no tempo como no espaço, e temperaturas mais baixas do que o normal. Lembrando que a primavera é uma estação de transição, assim num primeiro momento mantém as características do inverno, e num segundo momento adota as características do verão.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Os modelos internacionais apontam para chuva igual ou abaixo da normalidade para o mês de outubro, e dentro ou bem próximo da normalidade para os meses de novembro e dezembro para o litoral e parte norte de Santa Catarina. Para o interior, e principalmente oeste catarinense, probabilidade de 60 e 50% para chuvas abaixo da média nos meses de outubro e novembro. No mês de dezembro 40% abaixo da média para o extremo oeste. Lembrando que a primavera é a estação da recuperação das chuvas, já que o inverno é a estação menos chuvosa.

Nesse ano em Itajaí tivemos chuva acima da normalidade dos meses de janeiro a junho, com valores significativos em janeiro e junho com 100 e 175% acima da média. Para julho, agosto e até agora em setembro chuvas abaixo dos 50% esperados. O que favoreceu as chuvas sobre o litoral é a aproximação com o oceano que está mais quente e favorece as chuvas convectivas (pancadas de verão) e circulação marítima (aquela chuva intermitente). A média histórica de chuvas para o trimestre de outubro/novembro/dezembro fica entre 150 e 160 mm.

Os modelos meteorológicos apontam totais de chuva para os próximos 45 dias para nossa região na casa dos 200 mm, com picos no início e no final de outubro, e início de novembro.

Quanto as temperaturas os modelos internacionais apontam a probabilidade para o litoral de valores iguais e abaixo da normalidade para outubro e novembro, e dentro da normalidade para dezembro. Para o interior maior probabilidade de temperaturas iguais e acima da média para os três meses.

A média das temperaturas máximas e mínimas absolutas nos traduzem o padrão diário. Para o trimestre de outubro/novembro/dezembro em Itajaí as médias históricos para as máximas são de 24,4/26,5/28,3°C respectivamente, e para as mínimas de 16,6/18,1/19,7°C.

Os modelos indicam para os próximos 45 dias temperaturas dentro da normalidade. Calor é esperado para o final de setembro, e temperaturas flutuando os 24°C no mês de outubro, com um período de frio entre 9 e 12 de outubro. Nos demais dias de outubro as mínimas flutuarão os 16°C, dentro da normalidade.

Para terminar, como já colocamos pela estação de transição, chance de passagens de ciclones extratropicais, alguma onda de frio e de calor, bem como chuva mais significativa por processos convectivos.

Mesmo assim devemos aproveitar a primavera, que pela nossa posição geográfica, a percebemos! Ótima estação com saúde e paz!

O inverno de 2021, e o tempo para a semana.

O inverno astronômico começa nessa madrugada de segunda-feira, às 00h32min, com o solstício do inverno e a noite mais longa do ano. Esse inverno estará sob a influência da Neutralidade Climatológica, ou seja, quando não ocorre nem El Niño e La Niña (figura 1).

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Existe consenso nos modelos internacionais e nacionais sobre a normalidade das temperaturas, dentro das médias históricas. As médias das temperaturas mínimas para o trimestre de julho, agosto e setembro são de 12/13/15°C e as máximas de 21/22/23°C respectivamente.

Quanto a chuva a tendência é que fique dentro de normalidade e abaixo da normalidade. O modelo NCEP/NOAA/EUA coloca chuva dentro da normalidade. Já o modelo do IRI/Universidade da Columbia/EUA coloca chuva abaixo da normalidade. Chance de 40% para julho, 50% para agosto e 60% para setembro. As médias históricas para nossa região é de 113/90/142 mm para o trimestre.

Contudo, vale ressaltar que a normalidade climatológica apresenta entre suas características uma variabilidade espacial e temporal. Assim poderemos ter dias sem grandes precipitações e se concentrarem num curto prazo de tempo, como ocorreu nesse mês de junho nos dias 9 e 19, inclusive com alagamentos. Essa condição serve para a precipitação, como temperatura.

Outras características de nosso inverno são as entradas de sistemas frontais, por vezes formando ciclone extratropicais com seus ventos fortes sobre o oceano e litoral. Situação que leva a maré meteorológica com o empilhamento maior das ondas sobre as praias, e assim ressacas e alagamentos dos baixios. Presença maior de nevoeiros, principalmente entre noite e início da manhã.

O tempo para a semana.

A semana terá a presença constante da nebulosidade, com exceção da terça e sexta-feira com maiores períodos de sol. Chance de chuva ocasional nessa segunda, e chuva bem isolada entre terça e quinta-feira. Isso se deve a circulação marítima. Na sexta-feira voltarão as chuvas a partir da noite pela passagem de uma nova frente fria. Sábado e domingo chuvosos. Volume significativo para domingo com até 40 mm por causa de áreas de instabilidade vindas do Paraná. Observe a imagem de satélite dessa noite (figura 2) nebulosidade presente sobre o litoral centro-norte catarinense.

Imagem do satélite GOES 16/NOAA/EUA – Canal True-Color + IR 10,35 µm – dia – 20/06/2021 – Hora local: 21:10 – Sul do Brasil. Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)/Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)/Divisão de Satélites e Sistemas Ambientais (DAS) modificado por LabClima/UNIVALI. Clique para ampliar.

As temperaturas continuarão amenas com leve elevação. As mínimas ficarão entre 11/15°C e as máximas entre 20/25°C.

Ventos variáveis. Maior frequência dos quadrantes sudeste e sudoeste. Na maioria dos dias a intensidade será entre calmaria e brisa leve. No domingo aumento da intensidade e rajadas fortes superiores a 40 km/h.

Em nossas praias ondas variando entre sudeste e leste. Ondas de até 1,5 metros nessa segunda e terça-feira. Para quarta e quinta-feira tendência de baixa ficando entre meio a 1 metro. A partir de sexta-feira nova tendência de subida com ondas de até 1,5 metros para o final de semana.

Agitação marinha longe da costa com ondas variando entre 2 e 4 metros para segunda-feira, depois tendência de baixa. A partir de quinta-feira tendência de subida e nova agitação marinha em direção ao fim de semana com ondas entre 2 e 4 metros.

A importância do Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas¹

¹ Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas foi comemorado no dia 16 de março. Esse texto foi feito a pedido de um jornal da região.

Para entendermos o que se refere ao aquecimento global, primeiramente, e depois mudanças climáticas colocaremos duas posições e um pequeno histórico: O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) entende que mudanças climáticas são “[…] a qualquer mudança no clima durante um período de tempo, independente se for uma variação natural ou o resultado de uma atividade humana”. (IPCC/ONU, 2007, p. 3). Ayoade em seu livro Climatologia para os trópicos coloca que “Os vários termos usados para descrever as variações no clima, a saber, a variabilidade climática, flutuações climáticas, tendências climáticas, ciclos climáticos e mudança climática referem-se a algumas escalas apropriadas de tempo e somente podem ser válidos quando usados dentro de tais escalas temporais”. (AYOADE, 1988, p. 206). Posto isso, a temática de mudanças climáticas se sobressaiu a discussão de climatologistas e meteorologistas, tornando-se de interesse público, econômico e político. Essa discussão toma forma com a criação do Fórum mundial para Mudanças Climáticas em 1988 pela Organização Mundial de Meteorologia/Organização das Nações Unidas (OMM/ONU). Consegue mais força e abre mais o leque com a ECO 92 no Rio de Janeiro em 1992. Depois com a criação da Conferência da ONU sobre Mudanças Climática (COP). Sendo a primeira, COP 1, realizada em Berlim de 1995. Na COP 3, em Kioto, Japão (1997) foi assinado por diversos países, no qual o Brasil também foi signatário, o compromisso de redução das emissões. Depois a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10 ou Cúpula da Terra II) em Joahnesburgo, África do Sul, em 2002. A COP 21 realizada em Paris, França, em 2015 teve como objetivo firmar compromissos ambiciosos em relação a redução das emissões, desmatamento, crédito de carbono, entre outros. Contudo, apesar da boa vontade política de alguns atores, especialmente a Europa, houve poucos avanços, e isso vem ocorrendo a cada COP. A próxima será a COP 26 em novembro, em Glasgow, Escócia. Toda essa discussão se dá pela possibilidade de mudanças climáticas mais drásticas em futuro próximo, com sérios riscos a preservação da vida, da economia e de governos. Os riscos são os mais variados, como mudanças dos climas, afetando a produção de alimentos, desastres naturais, perdas ou transformações de biomas etc. Na última década observamos um aumento nas temperaturas do nosso planeta. Boa parte dos cientistas já afirmam que se trata das mudanças climáticas. Com esse aumento da temperatura já observamos chuvas mais fortes, mais concentradas, com tempo severo associado (tempestades). Além disso temos secas mais persistentes, fora da época, que traz um estresse grande para a produção da alimentos (agricultura, pecuária etc.), bem como, a alguns biomas com queimadas, entre outras. O aumento da temperatura também aumenta o número de pragas, como dengue, febre amarela, para citar somente algumas. Qual a solução? Não tem resposta fácil. A solução passa por várias mudanças de postura da sociedade, modos de produção, consumo, políticas multilaterais internacionais, compensação, e mais um grande rol de ações. O importante é começar com pequenas coisas. Recicle, consuma menos, se puder ir a pé, vá. Apoie e incentive a conservação de remanescentes florestais. Procure conhecer e preferir produtos que sejam fabricados de forma mais sustentável. Apoie agendas políticas para um desenvolvimento mais sustentável. Pense no futuro, no futuro das novas gerações, seus filhos, netos. Se sensibilize, vale a pena! Afinal, e por enquanto, esse planeta, é o único lar que temos.

Outono começa nesse sábado.

Amanhã começa o outono astronômico (equinócio) às 6 horas e 38 minutos. Nesse ano ele estará sob a influência da “Neutralidade Climatológica” (figura 1). A La Niña que vinha atuando nos últimos 8 meses perdeu a força. Contudo não se tem expectativa para El Niño neste ano. Os modelos nacionais e alguns internacionais indicam chuva abaixo da média histórica para o trimestre de abril, maio e junho. Os nacionais colocam anomalias negativas de 40 a 50 mm, e probabilidade entre 40 e 45% abaixo da média. Um dos modelos do National Centers for Environmental Prediction/NCEP/National Weather Service/NOAA coloca diferentemente dos demais, chuva entre 5 e 20 mm acima da média para abril, entre 5 e 20 mm abaixo da média para maio, e entre 20 e 40 mm acima da média para junho. Todos os modelos indicam temperaturas na média e acima da média histórica.

A média histórica da precipitação para nossa região é de 121, 117 e 106 mm no trimestre. A média das temperaturas máximas e mínimas demonstram melhor o comportamento das temperaturas. As máximas para o trimestre de abril/maio/junho são de 27/24/22°C respectivamente, e as mínimas de 18/15/13°C.

O registro do vento predominante para a estação é de sudoeste para os três meses. O segundo vento com maior frequência é da direção de nordeste. A média da umidade relativa do ar é superior a 85%.

Lembrando que é uma estação de transição, ou seja, na sua primeira metade mantém a cara do verão, na segunda do inverno. Ocorre também o aumento das passagens de frentes frias.

Chuva isolada para o fim de semana.

Observe a imagem de satélite dessa noite uma frente fria entre São Paulo e Rio de Janeiro. Nebulosidade presente sobre o litoral por causa da circulação marítima.

Para sexta-feira e sábado a circulação marítima atuará sobre o litoral, e áreas de instabilidades no interior. Nada de novidade. Assim teremos um pouco mais de nuvens na sexta-feira com chuva fraca ocasional. No sábado bons períodos de sol com chuva isolada na madrugada. Para domingo uma nova frente fria se deslocará em direção ao estado. Assim teremos maior presença das nuvens. Chuva na madrugada e ao final da tarde/noite. Chuva mais significativa para segunda, terça e parte de quarta-feira.

Na sexta-feira a temperatura não sobe muito ficando por volta dos 28°C. Para sábado chega aos 31°C e 34°C no domingo.

Vento variável com intensidade entre calmaria e brisa leve.

Em nossas praias ondas das direções de sudeste e leste conforme a praia. O tamanho ficará entre meio a 1 metro dependendo do pico.

Fora da costa leve agitação marinha com ondas entre 1,5 a 2,5 metros de direção sul.

Semana de grande variação na nebulosidade com chuva isolada.

Hoje temos uma frente fria deixando o estado em direção a região sudeste. A partir de amanhã estaremos sob a influência de um anticiclone, com seu núcleo sobre litoral argentino, uruguaio e gaúcho, que facilitará a circulação marítima sobre o litoral. Com ela teremos grande variação na nebulosidade com chuva fraca isolada. Na sexta-feira áreas de instabilidade vindas da região sudeste, pelo oceano, se aproximarão do litoral norte trazendo chuva mais significativa em forma de pancadas. Os modelos atuais apontam chuvas entre 80 a 110 mm para os próximos 10 dias com os maiores volumes para a próxima semana.

Hoje começou o verão astronômico (solstício de verão onde o dia tem a maior duração) às 7 horas e 2 minutos. Esse verão estará sob a influência da La Nina (figura 1). Para a região sul de forma generalizada traz estações mais frescas e com chuva mal distribuída, no espaço e tempo. Os modelos indicam para o trimestre de janeiro, fevereiro e março chuva e temperatura dentro da normalidade. Somente para março alguma chuva acima da média. As temperaturas esperadas para essa estação ficarão entre 21/29°C. O mês de janeiro é mais chuvoso para nossa região com volumes acima de 230 mm. O vento de nordeste tem maior frequência em janeiro e o de sudoeste para fevereiro e março. A umidade relativa média superior a 83%.

Observe a imagem de satélite desse início de manhã muitas nuvens sobre Santa Catarina por causa do deslocamento da frente fria. Assim nessa segunda-feira teremos muitas nuvens e chuva a qualquer momento. Entre terça-feira e domingo grande variação na nebulosidade. Períodos de muitas nuvens, e nesses momentos, maior chance de chuva fraca e isolada, intercalando com momentos onde sol predominará. Volume pequeno de chuva entre terça e sábado. A partir de domingo voltarão as pandas de chuva com trovoada.

Será uma semana com temperaturas um pouco mais baixas. As mínimas ficarão entre 18/21°C e as máximas entre 27/31°C. maior calor, acima dos 30°C, na sexta-feira, sábado e domingo.

Os ventos de sudeste e leste terão a maior frequência nessa semana. Intensidade entre calmaria a vento suave. Rajadas mais fortes nesse segunda-feira acima de 40 km/h. Para o resto da semana rajadas médias inferiores a 30 km/h.

Em nossas praias ondas variando entre sudeste e leste conforme a praia. O tamanho médio ficará em meio metro. Algumas praias terão séries maiores próximas de 1 metro.

Fora da costa agitação marítima para hoje, amanhã e quarta-feira com ondas entre 2 a 3 metros. Restrição para embarcações de pequeno porte.

Primavera de 2020.

A primavera astronômica começará nessa terça-feira (22/09) às 10 horas e 31 minutos com o equinócio da primavera, tendo o dia e noite, mesma duração. A primavera climatológica começou com o mês de setembro. Conforme os dados históricos para região é esperado temperaturas mínimas de 17/18/19°C para o trimestre outubro, novembro e dezembro, e as temperaturas máximas de 24/26/28°C respectivamente. Em relação as chuvas os dados para esse trimestre são de 154/150/159 mm. Ocorre precipitação em 15 dias de cada mês. Também há um aumento das chuvas convectivas (chuvas de verão) pela temperatura e pelo oceano Atlântico mais quente em nossa costa. O vento predominante para esse período é da direção nordeste com velocidade média de 7 km/h. Lembrando que a primavera é uma estação de transição, ou seja, em sua primeira metade com características de inverno, e na segunda, do verão. Tanto é que temos máxima absoluta de 38,4°C em dezembro, e mínima absoluta de 4,2°C em outubro.

Para esse ano a primavera estará sob a influência do La Niña (resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico). Para a região sul o La Niña tem como características gerais irregularidade nas chuvas, e menor temperatura. Essa condição permanecerá no mínimo até janeiro de 2021 (figuras 1 e 2).

Figura 1: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Figura 2: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO.  Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Os modelos não demonstram consenso em relação ao prognóstico para temperatura e precipitação para esse trimestre. Os modelos internacionais, especialmente o do NCEP/NOAA e IRI/ Columbia University, apontam chuva dentro da normalidade, com exceção de outubro, com volumes abaixo da média histórica. Para as temperaturas o esperado é dentro da normalidade/levemente acima. O modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) para o trimestre indica chuva abaixo da média. Contudo apresenta nos modelos de anomalias mensais, chuva acima da média para outubro e novembro, e abaixo da média em dezembro. Quanto as temperaturas indicam temperaturas acima da média (0,6°C) para outubro, e abaixo da média para novembro (0,4°C) e dezembro com (1,0°C).

Ótima primavera à todos!!!

Inverno 2020.

O inverno astronômico começará no próximo sábado às 18 horas e 44 minutos, pois o inverno climatológico começou no início de junho. O solstício de inverno, para nosso hemisfério, terá a noite mais longa do ano. O inverno para a região sul, e nossa região, é caracterizado pelas mais baixas temperaturas e menor precipitação do ano. Esse inverno estará sob a influência da neutralidade climatológica e da La Niña fraca. Condição que se manterá no mínimo até dezembro desse ano (figuras 1 e 2).

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO.  Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Figura 2: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Os modelos climatológicos nacionais e internacionais não indicam consenso para a precipitação, mas apontam para a mesma direção na temperatura.

Para os modelos nacionais teremos chuva na média e acima da média histórica para o litoral, com anomalias de até 50 mm. Para o interior do estado na média, e abaixo da média para a região oeste. Os modelos internacionais apontam algumas diferenças. Para os meses de julho e setembro chuvas dentro da normalidade. Para o mês de agosto dentro da normalidade e acima da normalidade. Os registros históricos para a região de Itajaí indicam volumes de 113, 89 e 143 mm para o trimestre de julho, agosto e setembro respectivamente. Cabe aqui ponderar que nesses seis meses do ano tivemos 4 meses (janeiro, março, abril e maio) com chuvas abaixo da média histórica nos levando a uma crise hídrica, e dois meses acima da média histórica (fevereiro e junho). Nesse mês de junho as chuvas, até a presente data, atingiram 42% acima da média histórica, com boa distribuição temporal, minimizando a estiagem.

Quanto a temperatura é sempre bom usar a média das mínimas e máximas, pois são mais próximas do que acontece no dia a dia. As médias para os meses de julho são de 12/21°C, agosto de 13/22°C e setembro de 14/23°C. Os modelos, em geral, indicam temperaturas na média ou acima da média histórica. Esse ano as médias das mínimas estiveram abaixo da série histórica todos os meses, com exceção de junho. Já para as máximas fevereiro, março e abril também abaixo, e levemente acima para janeiro, maio e junho. Isso se deve a influência da neutralidade climatológica.

Vale ressaltar o predomínio do vento sudoeste para junho e julho, e de nordeste para agosto e setembro. A umidade relativa do ar continuará acima dos 80% em média.

Como curiosidade de temperaturas extremas (mínimas e máximas absolutas). Frio intenso com 0,2°C em julho de 1982, 0,5°C negativo em agosto de 1991 e 3,4°C em setembro de 1981. Também tivemos calor sufocante com 31,2°C em julho de 2006, 36°C em agosto de 1993 e 37°C em 2006.

Finalizando, temos maior passagens de frentes frias pela região, entradas de massa de ar polar e ondas de frio. Aumento também de ciclones extratropicais que trazem ressaca em nossas praias e de nevoeiros.

Bom inverno a todos. Para alguns estação detestável, para outros, a mais charmosa do ano.