Como será nossa primavera de 2026 com o El Niño

A primavera começa sob forte influência do El Niño, com previsão de chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas em Itajaí e na Região Sul. Embora os modelos apresentem diferenças nos volumes previstos, outubro merece atenção especial pelo maior risco de precipitações intensas. A combinação de calor e umidade também favorece temporais, ventos fortes e granizo, reforçando a importância de acompanhar os alertas meteorológicos e da Defesa Civil.

Por Sergey A. de Araújo, climatologista

A nossa primavera astronômica começa nesta terça-feira (22) às 21h05, com o equinócio (mesma duração para dia e noite). Esta condição para Itajaí se deu nos dias 16 e 17, com duração do dia de 11h59 (16) e 12h01 (17). Hoje, início oficial da primavera, teremos o dia com duração de 12h09. A primavera climatológica começou junto com o mês de setembro; e como será esta primavera? Inicialmente, é bom lembrar que uma estação de transição, ou seja, sua primeira parte, ainda carrega características do inverno e, em sua segunda parte, do verão. A diferença é a presença do fenômeno El Niño. Ela começa sob a influência do fenômeno El Niño muito forte, com anomalias positivas acima de 2 °C da temperatura da superfície do mar junto ao oceano Pacífico (figuras 1, 2 e 3). Esta condição se estenderá, nesta intensidade, até o mês de dezembro, início do verão, e o El Niño, como todo, tem probabilidade de 100% até janeiro, e como fenômeno até março de 2027. Os principais institutos internacionais, como a NOAA e IRI (EUA), APEC (Coreia do Sul), ECMWF (Europa) e Bureau of Meteorology (Austrália), e os nacionais, como CPTEC/INPE e o INMET, apontam para chuvas acima da média histórica, com probabilidade acima de 40%, e para o mês de outubro acima de 60%. No Painel El Niño 2026-2027 – boletim mensal n.º 3 de agosto de 2026, o INMET/CPTEC/CEMADEM/SEDEC aponta para chuvas acima da média e coloca: “A previsão de precipitação acima da faixa normal na Região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul (RS), aliada ao histórico de inundações associadas a episódios de El Niño, reforça a necessidade de monitoramento contínuo das previsões nas escalas de tempo (próximos dias) e subsazonal (próximas semanas), a fim de identificar as áreas potencialmente afetadas”. Esta afirmação é importante, primeiro porque a chuva não será igual para todas as regiões, e segundo não há consenso entre os modelos meteorológicos. Nos modelos climatológicos rodados pelos institutos nacionais neste mês de setembro, com prognóstico até dezembro para nossa região, apresentaram-se divergências nas anomalias. Para o INPE/CPTEC, anomalias entre 10 e 30 mm. Para o INMET, valores acima de 150 mm para outubro, 75 mm para novembro, mas no limite geográfico de até 150 mm, e de 10 mm para dezembro, no limite de 75 mm. Neste mês de setembro, a média histórica para a cidade de Itajaí é de 138 mm; até hoje choveu 175 mm, e o INMET aponta para anomalia de 30 mm, ou seja, 170 mm, muito próximo; contudo, temos condições de chuva até o final do mês. A média histórica para outubro é de 158 mm, novembro com 156 mm e dezembro com 169 mm. O prognóstico do INMET para outubro ficará entre 230 e 260 mm, para novembro entre 200 e 230 mm, no limite de 260 mm, e para dezembro entre 160 e 200 mm. As previsões sazonais do ECMWF apontam para totais de até 200 mm no limite geográfico e acima de 200 mm para outubro. Para novembro, com até 200 mm, mas com um limite geográfico maior para acima de 200 mm e entre 100 e 200 mm para dezembro. Os modelos de previsão de probabilidade quinzenal de precipitação do IRI/EUA indicam probabilidade superior a 60% para chuvas acima da média para os próximos 15 dias. Assim, é necessário o reforço de atenção aos avisos dos serviços nacionais, como o INMET, CPTEC/INPE e Defesa Civil Estadual, e o contínuo monitoramento das condições de tempo diárias e semanais. Para as temperaturas, temos consenso; tanto institutos nacionais quanto internacionais apontam para temperatura acima da média histórica. O INMET indica anomalia positiva de 0,2 e 0,4 °C para setembro, de 0,4 °C para outubro, de 0,6 e 1,0 °C para novembro. Dezembro com 0,2 e 0,2 °C abaixo/acima da média histórica. Para o comportamento médio diário, usamos a média das mínimas e máximas. Assim, para outubro, 17/24,5 °C; novembro, com 18/26,5 °C; e dezembro, com 20/28,5 °C. Neste ano de 2026, até este dia (22/09), estamos com 0,4 °C abaixo da média anual. O mês mais quente foi abril e o mais frio, o mês de maio. Finalizando, ainda teremos passagens de sistemas frontais e entradas de massas de ar polar, como o que acontece para esta terça até quinta-feira, com temperaturas mais baixas. Com a presença do calor e mais umidade, também há condições de temporais mais robustos (trovoada, ventos fortes, granizo etc.) e chuvas mais intensas por regiões, como aconteceu nas últimas 48 horas com chuva intensa na região sul e serra catarinense.

Figura 1: Anomalias relativas da temperatura da superfície do mar (TSM). Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Figura 2: Previsão para anomalias relativas da temperatura da superfície do mar (TSM)—El Niño (3.4). Fonte: NOAA/National Weather Service – NCEP/National Centers for Environmental Prediction – CPC/Climate Prediction Center – EUA.

Figura 3: Probabilidades oficiais do ENSO do CPC da NOAA. Fonte: NOAA/National Weather Service – NCEP/National Centers for Environmental Prediction – CPC/Climate Prediction Center – EUA.

Chuvas e mudanças climáticas

Por Sergey A. de Araújo

Uma repórter do grupo (ND Mais) fez algumas perguntas sobre os eventos climáticos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Compartilho com vocês.

Perguntas:

Como as mudanças climáticas impactam nos desastres que atingem RS e SC?

Tem como os municípios preverem essas situações?

Qual a responsabilidade do ser humano nesses desastres?

Resposta:

É necessário a compreensão de que o clima não é estático. Já mudou, e mudará novamente. O que estamos fazendo é acelerar esse processo. Hoje, a maioria dos trabalhos científicos publicados trazem como resultado evidências de mudanças climáticas causadas pelo estilo de vida do homem. A maior evidência é o efeito estufa antropogênico. Os modelos meteorológicos apontam para tendências de elevação da temperatura e os dados registrados indicam isso (figura 1). Com aumento do calor modificamos a dinâmica da atmosfera. Potencializamos processos de evaporação num canto com chuvas mais abundantes, noutro massas de ar quentes e secas mais persistentes. Condições essas muitas vezes acima dos históricos registrados.

Figura 1 – Gráfico da temperatura média anual do município de Itajaí (SC). Fonte: LabClima-Univali/EPAGRI-CIRAM.

Ainda temos os processos atmosféricos corriqueiros na região sul como passagens de sistemas frontais, cavados etc. Adiciona-se a influência do El Niño e La Niña. Nessa mistura ainda é necessário entender o relevo e hidrografia (drenagem) dos estados que compõem a região sul, de modo especial, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Temos serras, vales encaixados, planícies costeiras grandes como o estado gaúcho e pequenas como Santa Catarina. Solos mais rasos, outros mais profundos, e por último a ocupação do solo pela sociedade. Geralmente e quando podem as pessoas tem o hábito de se estabelecerem próximos de rios e em planícies, que de certa forma são mais suscetíveis a inundações.

Em várias regiões dos nossos estados é recorrente processos de alagamentos, enchentes e inundações, como a região do Vale do Itajaí. Tem como parar esses eventos. Não. Temos que conviver com isso da melhor forma. Isso se dá pelo investimento em obras e ações de prevenção e mitigação. Nisso entra obras de drenagem, barragens, parques inundáveis, sistemas de alerta, instrumentos de medição, mapeamentos mais precisos etc. com intuito de retardar o processo de inundação para dar tempo as pessoas salvaguardarem seus bens e suas vidas. Além disso políticas de planejamento municipais, consorciadas, estaduais e federais, pois a água não se importa com limites legais. Nisso entra a retiradas de populações em áreas mais vulneráveis quando possível, marcos legais e fiscalizados inviabilizando o uso das áreas suscetíveis entre outras ações.

Finalizando o mais importante é tratar o assunto com seriedade, planejamento constante, engajamento da população e fluxo financeiro permanente para obras e ações de planejamento e mitigação, e não somente quando ocorre o sinistro, pois só nos resta comoção, mortes e prejuízos.

Primavera de 2023

A primavera astronômica (equinócio) iniciou nessa sexta-feira às 3 horas e 50 minutos. É uma estação de transição, e assim, na sua primeira parte mantém algumas características do inverno, e na segunda do verão. Lembrando que é uma estação de recuperação das chuvas, mesmo no Sul, onde temos uma boa distribuição anual. Pelos modelos atuais a primavera estará sob a influência do fenômeno El Niño (figura 1) que tem como característica geral para a região sul, maior precipitação e calor.  Os modelos climáticos apontam para chuvas acima de média histórica para o mês de outubro, na média no litoral, e acima da média no interior de Santa Catarina para novembro. Em dezembro na média para o litoral, e alguma divergência quanto ao interior do estado, na média e/ou acima da média. A média histórica da precipitação em Itajaí para o trimestre é 152/151/170 mm. Quanto as temperaturas os modelos não apresentam divergências, indicando temperaturas acima da média histórica para o trimestre. A média das máximas e mínimas é 25/27/28°C e 17/18/20°C para os três meses. Em função das altas temperaturas, torna-se característico   pancadas de chuva com trovoadas aos finais de tarde e noite.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Inverno de 2023

Amanhã, quarta-feira, às 11 horas e 58 minutos começará nosso inverno astronômico, com o solstício de inverno. Nesse dia receberemos menos insolação. Será o nosso dia mais curto com 10 horas 23 minutos e 38 segundos e nossa noite mais longa. O inverno climatológico começou com o mês de junho. Nesse inverno estaremos sob a influência do El Nino (figuras 1 e 2) por consenso. Alguns institutos apontam para um evento fraco outros entre fraco a moderado, longe dos maiores eventos já ocorridos (figura 3). O El Nino atuará no mínimo até fevereiro de 2024.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Figura 2: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Figura 3: Anomalias de TSM (temperatura da superfície do mar) com média na região NINO34 5°Norte-5°Sul;170-120°Oeste. Fonte: PSL/NOAA – Physical Sciences Laboratory – National Weather Service – EUA.

A princípio existe consenso em relação as temperaturas que deverão ficar na média com maior probabilidade para acima da média (45 a 50% de chance). Já com as chuvas ocorrem algumas divergências para o trimestre de julho, agosto e setembro. Alguns modelos internacionais apontam para chuva na média/abaixo da média para julho, na média para agosto e acima da média para setembro. Outros apontam para chuvas na média ou acima da média para os três meses.

A média das temperaturas máximas e mínimas nos dão um melhor entendimento do que esperar diariamente nesse trimestre. As médias das temperaturas máximas são de 21,5°C para julho, 22,4°C para agosto e 22,9°C para setembro. Já as mínimas são de 12,0°C em julho, 12,9°C em agosto e 14,7°C em setembro. Assim é esperado madrugadas com temperaturas entre 12 e 15°C e tardes entre 21 e 23°C. Sempre é bom salientar que já registramos muito calor nesse período com absolutas de 31,2/36,0/37,0°C nos respectivos meses. Igualmente muito frio com 0,2/0,5 negativo/2,4°C respectivamente.

O inverno é a estação menos chuvosa para nossa região. A média histórica é de 109 mm em julho, 91 mm em agosto e 141 mm em setembro. As chuvas estão mais ligadas a passagens de frentes frias, contudo, nosso oceano está com águas mais quentes que favorecem chuvas convectivas (pancadas de verão) nos dias mais quentes.

Para terminar no inverno temos intensificação de sistemas frontais, ciclones extratropicais, marés meteorológicas e nevoeiros.

O inverno de 2019.

O inverno astronômico começou hoje às 12 horas e 54 minutos com o solstício do inverno, quando nosso hemisfério está menos inclinado em direção ao sol, e assim recebendo menos energia. O inverno deste ano estará sob a influência do El Niño fraco, beirando a neutralidade climatológica.

Dados do NCEP (Center for Weather and Climate Prediction) indica esse fenômeno de forma fraca, e a partir de julho o início da neutralidade climatológica (figura 1).

Figura 1: Previsão para anomalias no El Niño. Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Já dados do IRI (International Research Institute for Climate and Society ) indica a continuação desse fenômeno de forma fraca até janeiro de 2019 (figura 2).

Figura 2: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

As características mais gerais do El Niño para a região sul é maior precipitação e calor. Na neutralidade temos uma maior variação. Lembrando que o mês de maio tivemos chuvas 60% acima da média histórica para a região, contudo nesse mês de junho, até a presente data, e sem indicativos de volumes mais intensos, terminará com chuvas abaixo da média. Até hoje choveu somente 31% do esperado para o mês. Quanto as temperaturas estão mais altas, entorno de 2,5°C acima da média das mínimas e máximas.

Dito isso os modelos não indicam consenso. Alguns colocam chuva acima da média, principalmente para o Rio Grande do Sul e para o sul de Santa Catarina (setembro).

O que esperar para nosso inverno? Em termos de chuva ficará na média e abaixo da média para os meses de julho e agosto, e na média para o mês de setembro. Quanto as temperaturas ficarão acima da média para o trimestre de julho/agosto/setembro. Contudo o frio mais intenso será por meio de ondas de frio, ou seja, períodos menores de frio após passagem de frentes frias mais fortes.

O comportamento esperado (histórico) da média das temperaturas máximas e mínimas para esse trimestre é de 21,0/22,0/22,4°C e 12,0/13,0/14,4°C respectivamente. Para as chuvas são 120/92/145 mm. Os ventos predominantes são de sudoeste para julho e nordeste para agosto e setembro.

Nessa estação também temos a intensificação de nevoeiros, principalmente os radiativos. Esses se desenvolvem pelo esfriamento intenso do solo que condensa o ar acima, e se dissipam com a chegada do sol.

Primavera de 2018.

No próximo sábado (22/09) às 22 horas e 54 minutos começará a primavera astronômica, ou seja, nosso equinócio de primavera, onde o dia e noite terão a mesma duração. A primavera climatológica começou com o mês de setembro.

A primavera é uma estação de transição – sua primeira parte mantém algumas características do inverno, e na segunda parte, do verão. Na primeira parte, mesmo com aumento gradativo da temperatura, ainda temos passagens de frentes frias, e depois entradas de massas de ar polar. A média das temperaturas mínimas e máximas para os meses de setembro, outubro e novembro é de 16,6/24,4°C, 18,1/26,5°C e 19,7/28,3°C. Essa média é importante para termos ideia do comportamento esperado para nossas temperaturas mínimas e máximas diárias. A temperatura mínima recorde foi de 3,4°C em setembro de 1981, e a máxima de 35,8°C em novembro de 2002.

Na região sul, e assim em nossa região, a primavera é a estação de recuperação das chuvas, já que há uma diminuição no outono e inverno. Na primavera do ano passado tivemos chuvas abaixo da média histórica. Nesse ano somente os meses de janeiro e março tiveram chuvas acima da média,  considerando os dados da estação meteorológica de Itajaí do Instituto Nacional de Meteorologia. Lembrando que a primavera do ano passado e parte desse ano estávamos com neutralidade climatológica. A média de chuva esperada para o trimestre (set/out/nov) é de 146, 157 e 152 mm respectivamente. O recorde de chuva nessa estação foi registrado no mês de novembro de 2008, com 725 mm (bairro Itaipava, Itajaí). Na estação meteorológica da Univali (centro, Itajaí) foi de 570 mm.

Essa primavera estará sob a influência do El Niño (figura 1), aparentemente com intensidade fraca (figura 2).

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO.  Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Figura 2: Temperatura da superfície do mar. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Com a condição de El Niño (aquecimento anormal do Oceano Pacífico Tropical) os modelos atuais, nacionais e internacionais, apontam para chuvas na média e acima da média histórica. Alguns modelos colocam chuvas entre 25 a 50 mm acima da média histórica. Para as temperaturas os modelos indicam valores acima da média histórica. O inverno teve temperaturas dentro e abaixo da média histórica, comportamento típico da estação, e a primavera, será um pouco acima, mais quente.

Finalizando é esperado em média de 15 dias de chuva/mês, e o vento predominante é de nordeste, e a segunda direção é de sudoeste.

Como será o outono desse ano?

O outono astronômico começará no dia 20 desse mês às 1h30min. com o equinócio de inverno, onde o dia e a noite terão a mesma duração. O climatológico começou com o mês de março. Essa estação é marcada pela transição, ou seja, sua primeira metade mantém características do verão e a segunda metade característica do inverno. Começa quente e vai esfriando até chegar o inverno.

O outono desse ano começa sob a influência do El Niño, mas o mesmo está enfraquecendo, e terminará em Maio (figuras 1 e 2), onde entraremos num período de neutralidade climatológica. As características gerais do fenômeno El Niño na região centro sul são chuvas e temperaturas acima da média. Assim com o enfraquecimento do mesmo, essas características vão perdendo a força gradativamente. Contudo existe um período de transição entre 60 e 90 dias que se mantém a influência do mesmo. Conforme os institutos nacionais e internacionais esse El Niño de 2015/2016 foi equivalente aos de 1997/1998 e 1982/1983, ou seja, eventos considerados fortes.

Figura 1 - Anomalias positivas da temperatura da superfície do mar (TSM). Fonte: NOAA Center for Weather and Climate Prediction
Figura 1 – Anomalias positivas da temperatura da superfície do mar (TSM). Fonte: NOAA Center for Weather and Climate Prediction. Modificado pelo LabClima/UNIVALI.

Figura 2 - Previsão de consenso para ENSO - El Niño - Oscilação Sul. Fonte: International Research Institute for Climate and Society - Earth Institute - Columbia University. Modificado pelo LabClima/UNIVALI.
Figura 2 – Previsão de consenso para ENSO – El Niño – Oscilação Sul. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University. Modificado pelo LabClima/UNIVALI.

Para questão da precipitação os modelos nacionais e internacionais por consenso colocam chuva na média e levemente acima da média para o trimestre março, abril e maio. Alguns modelos reforçam essa condição principalmente para o interior do estado. Por outro lado, o oceano Atlântico está com temperaturas acima da média favorecendo as chuvas convectivas (por causa do calor e evaporação do mar), que também favorecem volumes acima da média.

A climatologia (média histórica) de nossa região demonstra que as chuvas diminuem no outono e principalmente no inverno. Para março, abril e maio os totais de chuva para Itajaí são de 179, 123 e 112 mm respectivamente.

Vale ressaltar que alguns modelos colocam irregularidades tanto espacial como temporal em relação a precipitação no estado. Apesar do El Niño nos meses de janeiro e fevereiro desse ano tivemos chuva abaixo da média, ou seja, irregularidades na chuva.

Quanto a temperatura os modelos nacionais e internacionais indicam temperaturas acima da média histórica. A média das temperaturas máximas para os meses de março, abril e maio são de 28,8°C, 26,7°C e 24,0°C respectivamente. Já as médias das temperaturas mínimas são de 20,2°C, 18,2°C e 14,9°C para o trimestre. Para esse mês de março, por enquanto, não há previsão de temperaturas baixas. Ondas de frio podem ocorrer, mas principalmente a partir da segunda quinzena de abril.

Ressalta-se que nossa região tem muitas áreas de riscos (alagamento, enchentes, deslizamentos, ressacas entre outras) e assim devemos ficar atentos aos avisos dos institutos meteorológicos e da Defesa Civil Municipal.

A primavera começa amanhã.

Nessa quarta-feira às 5h20min começará a primavera astronômica, ou seja, o equinócio de primavera onde o dia e a noite têm duração de 12 horas. A primavera climatológica já começou no mês de setembro. A primavera é uma estação de transição, e assim sendo, a primeira metade tem a cara do inverno e a segunda metade a cara do verão.

Essa estação estará sob a influência do El Niño que se fortalecerá nos meses de outubro e novembro (figura). As características gerais do El Niño para a região sul são de chuvas e temperaturas acima da média histórica.

Anomalia da temperatura da superfície do mar - Climate Prediction Center - National Weather Service - EUA
Anomalia da temperatura da superfície do mar – Climate Prediction Center – National Weather Service – EUA

Tanto os modelos internacionais como os nacionais indicam para essa tendência de chuva acima da média histórica com uma possibilidade de 75% na média e acima da média para o trimestre de outubro, novembro e dezembro. Modelos nacionais colocam anomalias positivas de 75, 50 e 25 mm acima da média que é de 154, 151 e 155 mm respectivamente.

A média das temperaturas mínimas para esse trimestre é de 17, 18 e 20°C e para as máximas de 24, 26 e 28°C respectivamente. Esse ano as temperaturas estão mais altas que as médias principalmente anomalias positivas nas temperaturas mínimas com até 3°C acima da média histórica e 1,5°C na temperatura média. Essa tendência continuará nessa primavera.

O vento predominante nesses meses é de nordeste com intensidade de 7 km/h. A média de dias com chuva é de 15 dias/mês, mas esse ano a média está em torno de 20 dias/mês.

Vale ressaltar que mesmo tendo tendência de chuvas acima da média, se for bem distribuída não trará maiores problemas. Nesse ano somente os meses de janeiro, abril e agosto tiveram chuva abaixo da média histórica e os demais acima e tivemos apenas problemas pontuais. Contudo é importante observar os avisos da Defesa Civil Municipal sobre eventos extremos.

 

Inverno sob influência do El Niño.

Hoje às 13h38min começará o inverno astronômico, ou seja, a passagem do equinócio de inverno no hemisfério sul com a noite mais longa do ano e as próximas também. O inverno climatológico já começou nesse mês de junho.

Esse inverno estará sob influência do El Niño que começou a se fortalecer no mês de Abril e continuará se fortalecendo até Dezembro, início do verão, conforme observamos na figura abaixo, com intensidade entre fraca a moderada.

Anomalias das Temperaturas da Superfície do Mar - Niño 3.4. Fonte: NWS/NCEP/CPC/NOAA/EUA.
Anomalias positivas das Temperaturas da Superfície do Mar – Niño 3.4. Fonte: NWS/NCEP/CPC/NOAA/EUA.

O El Niño de forma geral traz para o centro sul do país estações mais chuvosas e quentes.

Os principais modelos brasileiros do CPTEC/INPE e INMET/MAPA indicam para o trimestre de Julho/Agosto/Setembro chuva na média e acima da média histórica da região. Em relação as temperaturas ficarão acima da média histórica o que já vem ocorrendo nos últimos meses.

Para os modelos internacionais, principalmente o NCEP da NOAA (EUA) e o IRI da Universidade de Columbia (EUA) indicam também temperaturas acima da média histórica e chuva na média e acima de média histórica. O modelo da Universidade de Columbia coloca especialmente que a chuva ficará acima, mais próxima da média nos meses de Julho e Agosto, e a partir de Setembro 75% de chance de chuva acima da média histórica.

Para nossa região deveremos ter chuvas na média e acima da média histórica. Em Itajaí já vem chovendo acima da média histórica, mas de forma distribuída. No mês de Maio choveu 100% acima da média e nesse mês de Junho ultrapassamos em 7% acima da média com as chuvas do último dia 18. A média de chuvas para Itajaí é de 120 mm para Julho, 91 mm para Agosto e 142 mm para Setembro.

Quanto a temperatura deverá ser um inverno mais quente, mas com ondas de frio, ou seja, curtos períodos de frio mais intenso, como ocorreu nesse mês de Junho. No dia 16 tivemos a menor temperatura do ano com 5,5°C e depois no dia 19 com 7,6°C. A média das temperaturas mínimas para Itajaí no trimestre Julho/Agosto/Setembro é de 12, 13 e 14°C respectivamente. A média das temperaturas máximas para esse mesmo período é de 21, 22 e 23°C. A menor temperatura registrada em Itajaí foi em Agosto de 1991 com 0,5°C negativos e a maior temperatura registrada para o inverno foi em Agosto de 1993 com 36°C.

Finalizando como temos perspectivas de chuva acima da média histórica para os próximos meses é que os moradores de nossa região fiquem atentos aos avisos dos institutos meteorológicos, bem como das Defesas Civis Municipais.

O outono começa hoje à noite.

O outono astronômico começará hoje às 19h45min, ou seja, o equinócio de outono no hemisfério sul. O equinócio representa que as horas do dia e noite são iguais. O outono é uma estação de transição entre o verão e o inverno, onde a primeira metade mantém características do verão e a segunda metade assumindo características do inverno. Só percebemos o outono, como a primavera, com maior clareza nas médias latitudes (climas temperados ou subtropicais), onde essa estação fica mais evidenciada, principalmente pela temperatura.

Para a região de Itajaí essa estação traz temperaturas máximas de 27°C, 24°C e 15°C respectivamente e médias da mínimas de 18°C, 15°C e 13°C. Assim fica evidenciado a lenta diminuição da temperatura em direção ao inverno. Outra característica é a diminuição dos totais de chuva com 124 mm para Abril, 114 mm para Maio e 104 mm para Junho. Os sistemas frontais (frentes frias) também serão mais frequentes, bem como a passagem de ciclones extratropicais.

Os principais institutos nacionais com seus modelos apontam para a presença do El Niño, mas de forma fraca para esse outono. Os modelos nacionais colocam precipitação dentro da média histórica para o litoral e na média e acima da média para o interior do estado. Quanto as temperaturas ficarão na média e acima da média histórica.

Os modelos internacionais (NCEP-NOAA/IRI-COLUMBIA, etc.) corroboram com a presença do El Niño para essa estação. Quanto a temperatura esses modelos também indicam temperaturas acima da média histórica. Quanto a precipitação alguma divergência. Esses modelos colocam chuva na média e acima da média histórica para os meses de Abril e Maio no estado, e não somente no interior.

Importante ressaltar que as chuvas começam a diminuir no outono, mas principalmente na região sul devido a mudança do tipo de chuva. No verão as chuvas convectivas (pancadas de verão) prevalecem, mas com a presença também das chuvas frontais (passagem de frentes frias). O outono as chuvas convectivas diminuem e assim os totais também diminuem. Contudo nesse outono a temperatura da superfície do mar (TSM) do Atlântico Sul está mais quente, favorecendo a presença maior das chuvas convectivas. Assim é possível termos chuva acima da média histórica, mas sem prognósticos ou confirmação de volumes elevados nesse momento.