Como será nossa primavera de 2026 com o El Niño

A primavera começa sob forte influência do El Niño, com previsão de chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas em Itajaí e na Região Sul. Embora os modelos apresentem diferenças nos volumes previstos, outubro merece atenção especial pelo maior risco de precipitações intensas. A combinação de calor e umidade também favorece temporais, ventos fortes e granizo, reforçando a importância de acompanhar os alertas meteorológicos e da Defesa Civil.

Por Sergey A. de Araújo, climatologista

A nossa primavera astronômica começa nesta terça-feira (22) às 21h05, com o equinócio (mesma duração para dia e noite). Esta condição para Itajaí se deu nos dias 16 e 17, com duração do dia de 11h59 (16) e 12h01 (17). Hoje, início oficial da primavera, teremos o dia com duração de 12h09. A primavera climatológica começou junto com o mês de setembro; e como será esta primavera? Inicialmente, é bom lembrar que uma estação de transição, ou seja, sua primeira parte, ainda carrega características do inverno e, em sua segunda parte, do verão. A diferença é a presença do fenômeno El Niño. Ela começa sob a influência do fenômeno El Niño muito forte, com anomalias positivas acima de 2 °C da temperatura da superfície do mar junto ao oceano Pacífico (figuras 1, 2 e 3). Esta condição se estenderá, nesta intensidade, até o mês de dezembro, início do verão, e o El Niño, como todo, tem probabilidade de 100% até janeiro, e como fenômeno até março de 2027. Os principais institutos internacionais, como a NOAA e IRI (EUA), APEC (Coreia do Sul), ECMWF (Europa) e Bureau of Meteorology (Austrália), e os nacionais, como CPTEC/INPE e o INMET, apontam para chuvas acima da média histórica, com probabilidade acima de 40%, e para o mês de outubro acima de 60%. No Painel El Niño 2026-2027 – boletim mensal n.º 3 de agosto de 2026, o INMET/CPTEC/CEMADEM/SEDEC aponta para chuvas acima da média e coloca: “A previsão de precipitação acima da faixa normal na Região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul (RS), aliada ao histórico de inundações associadas a episódios de El Niño, reforça a necessidade de monitoramento contínuo das previsões nas escalas de tempo (próximos dias) e subsazonal (próximas semanas), a fim de identificar as áreas potencialmente afetadas”. Esta afirmação é importante, primeiro porque a chuva não será igual para todas as regiões, e segundo não há consenso entre os modelos meteorológicos. Nos modelos climatológicos rodados pelos institutos nacionais neste mês de setembro, com prognóstico até dezembro para nossa região, apresentaram-se divergências nas anomalias. Para o INPE/CPTEC, anomalias entre 10 e 30 mm. Para o INMET, valores acima de 150 mm para outubro, 75 mm para novembro, mas no limite geográfico de até 150 mm, e de 10 mm para dezembro, no limite de 75 mm. Neste mês de setembro, a média histórica para a cidade de Itajaí é de 138 mm; até hoje choveu 175 mm, e o INMET aponta para anomalia de 30 mm, ou seja, 170 mm, muito próximo; contudo, temos condições de chuva até o final do mês. A média histórica para outubro é de 158 mm, novembro com 156 mm e dezembro com 169 mm. O prognóstico do INMET para outubro ficará entre 230 e 260 mm, para novembro entre 200 e 230 mm, no limite de 260 mm, e para dezembro entre 160 e 200 mm. As previsões sazonais do ECMWF apontam para totais de até 200 mm no limite geográfico e acima de 200 mm para outubro. Para novembro, com até 200 mm, as com um limite geográfico maior para acima de 200 mm e entre 100 e 200 mm para dezembro. Os modelos de previsão de probabilidade quinzenal de precipitação do IRI/EUA indicam probabilidade superior a 60% para chuvas acima da média para os próximos 15 dias. Assim, é necessário o reforço de atenção aos avisos dos serviços nacionais, como o INMET, CPTEC/INPE e Defesa Civil Estadual, e o contínuo monitoramento das condições de tempo diárias e semanais. Para as temperaturas, temos consenso; tanto institutos nacionais quanto internacionais apontam para temperatura acima da média histórica. O INMET indica anomalia positiva de 0,2 e 0,4 °C para setembro, de 0,4 °C para outubro, de 0,6 e 1,0 °C para novembro. Dezembro com 0,2 e 0,2 °C abaixo/acima da média histórica. Para o comportamento médio diário, usamos a média das mínimas e máximas. Assim, para outubro, 17/24,5 °C; novembro, com 18/26,5 °C; e dezembro, com 20/28,5 °C. Neste ano de 2026, até este dia (22/09), estamos com 0,4 °C abaixo da média anual. O mês mais quente foi abril e o mais frio, o mês de maio. Finalizando, ainda teremos entrada de sistemas frontais, como o que acontece nesta terça e até quinta-feira, com temperaturas mais baixas. Com calor e mais umidade, também há condições de temporais mais robustos (trovoada, ventos fortes, granizo etc.) e chuvas mais intensas por regiões, como aconteceu nas últimas 48 horas com chuva intensa na região sul e serra catarinense.

Figura 1: Anomalias relativas da temperatura da superfície do mar (TSM). Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Figura 2: Previsão para anomalias relativas da temperatura da superfície do mar (TSM)—El Niño (3.4). Fonte: NOAA/National Weather Service – NCEP/National Centers for Environmental Prediction – CPC/Climate Prediction Center – EUA.

Figura 3: Probabilidades oficiais do ENSO do CPC da NOAA. Fonte: NOAA/National Weather Service – NCEP/National Centers for Environmental Prediction – CPC/Climate Prediction Center – EUA.

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Autor: labclima

Climatologia Meteorologia

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