Primavera de 2025

A primavera astronômica começou nesta segunda-feira às 15h19 com o equinócio de primavera no hemisfério sul. Os modelos apontam para continuidade da La Niña até dezembro com 50% de chance (figura 1). Depois iremos para a neutralidade climatológica.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño Southern Oscillation – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Não há consenso entre os institutos nacionais como o CPTEC e o INMET e alguns internacionais com o NCEP/NOAA e o IRI/Columbia. Os prognósticos destes institutos apresentam algumas diferenças para os internacionais, não muito discrepantes. Para precipitação, os modelos nacionais apresentam chance de 35 a 40% acima da média histórica e anomalias positivas na faixa de 10 mm para nossa região nos meses de outubro, novembro e dezembro. O mês de dezembro apresenta 35% de chance negativa ou positiva para chuva. O IRI/Columbia aponta chance de 45 a 50% de chuva abaixo da média para outubro, 40% abaixo para novembro e dentro da média para dezembro. Já o NCEP/NOAA coloca dentro da média histórica para o trimestre de outubro a dezembro. A média histórica da precipitação é de 139 mm em outubro, 158 mm em novembro e 169 mm em dezembro. Neste ano até o mês de agosto tivemos 4 meses com chuva acima da média e 4 meses abaixo. Junho o mês mais chuvoso com 61% acima da média e julho o menos chuvoso com 30% do esperado para o mês.

Para as temperaturas poucas diferenças. Os institutos internacionais apontam para probabilidade mínima de 40% de temperaturas iguais ou acima da média histórica. Os institutos nacionais colocam 35% de chance para temperaturas acima da média histórica com anomalias na faixa de 0,2 °C. A divergência ficaria para o mês de outubro com chance de temperatura igual ou inferior à média histórica com anomalia na faixa de 0,2 °C. A média histórica das máximas e mínimas que determina o comportamento esperado para estação no município de Itajaí é 24,6/16,9 °C para outubro, 26,6/18,3 °C para novembro e 28,6/20,0 °C para dezembro. Este ano foi mais fresco graças a La Niña. Até agosto tivemos 5 meses com temperaturas médias abaixo da série histórica e 3 meses acima. O mês de fevereiro foi o mais quente com 1,2 °C acima e os meses de junho e julho mais frios com 0,9 °C abaixo da média histórica. Com o La Niña perdendo força, talvez essa condição mude até o final do ano.

Lembrando que a primavera é uma estação de transição e assim sua primeira metade apresenta características do inverno como hoje que tivemos mínima de 8,4 °C em Camboriú e 10 °C em Itajaí e a segunda metade características do verão. É a estação de recuperação das chuvas com o aumento das condições de chuva provocada pelo calor e evaporação local, famosas pancadas de verão.

O vento predominante para esta estação é da direção nordeste. A nebulosidade média para o trimestre fica na faixa dos 72%.

Ótima estação das flores a todos!

Nosso outono de 2025

Por Sergey A. de Araújo

Nesta quinta-feira ensolarada às 6:01h começou nosso outono astronômico (equinócio – dia e noite com mesma duração). Lembrando sempre que o outono é uma estação de transição, ou seja, sua primeira parte tem características do verão e a outra do inverno. Este outono estará sobre a influência da neutralidade climatológica com viés de baixa (próximo da La Niña). Os modelos internacionais apontam esta condição até setembro. Para outubro e novembro a probabilidade para neutralidade e La Niña estarão muito próximas (figura 1). Os modelos internacionais e nacionais indicam um prognóstico muito próximo para precipitação e temperatura. 

Quanto a precipitação teremos duas situações. A primeira, para o trimestre de abril, maio e junho, chuvas na média para abril e junho, e abaixo da média para maio. Os modelos nacionais apontam para chuva na média ou abaixo da média para o trimestre. Anomalias mensais de 10 mm abaixo da média histórica. A média histórica para abril é 125 mm, 122 mm para maio e 110 mm em junho. Esta redução de precipitação em direção ao inverno é uma característica da região sul. Neste ano de 2025 tivemos chuva acima da média no mês de janeiro, mas fevereiro e março com chuva abaixo da média histórica.

Quanto à temperatura, os modelos não apresentam consenso. Os internacionais apontam para temperaturas na média ou acima da média histórica. O INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) aponta para probabilidade acima da média histórica para abril e abaixo em maio e junho no litoral. Contudo apresenta anomalias 0,2 acima ou abaixo das médias. A média das temperaturas máximas e mínimas revelam o que esperar para o trimestre. Para os meses de abril, maio e junho média das máximas de 26,9°C, 24,1°C e 22,1°C respectivamente. Já para as mínimas os dados são de 18,0°C para abril, 14,8°C para maio e 12,8°C para junho. Neste ano de 2025 tivemos temperatura média abaixo da histórica para o mês de janeiro (0,3°C), calor em fevereiro (1,2°C acima) e 0,6°C acima neste mês de março.

Finalizando no outono temos aumento das geadas, sistemas frontais e nevoeiros. Ótima estação a todos.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño Southern Oscillation – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Hoje uma repórter perguntou sobre o porquê dessas chuvas e a dificuldade de prevê-la

Por Sergey A. de Araújo

A chuva desta madrugada e manhã foi a mistura de circulação marítima com áreas de instabilidade pontuais. A circulação marítima são os ventos que trazem umidade do oceano em direção ao litoral. Neste dia as direções de nordeste, leste e sudeste foram registradas na estação meteorológica do Porto de Itajaí/Univali no molhe do Atalaia. Nós não vemos a evaporação do oceano. Toda vez que a radiação chega na parte superior do oceano, dos lagos, açudes etc., essa energia penetra e esquenta a coluna d’água. Como resposta temos a evaporação. Essas pequenas gotículas se juntam ao ar e o deixam mais leve. A água tem peso molecular menor do que a atmosfera, com isso deixa uma parcela de ar mais leve e por processo convectivo (movimento vertical) sobe condensando e formando nuvens. Quanto mais rápido subir por causa do calor e da umidade mais rápido condensa e geralmente temos a formação de nuvens de exagero vertical. A mais famosa é a cumulonimbus, que traz tempestade entre outras coisas. A água precipitável se concentra na parte baixa e média das nuvens. Na parte alta somente gelo. Dentro das nuvens por causa de componentes químicos, poeiras as gotículas se juntam, ficam maiores e mais pesadas, e pela gravidade temos a precipitação. Dependendo deste processo de calor, umidade, condensação e aglutinação temos quantidades de chuva diferentes. Nesta madrugada e manhã essas nuvens com muita água se deslocaram em parte pelo oceano e uma parte sobre o litoral entre Navegantes, Florianópolis e Palhoça. Tanto que tivemos grande volume de chuva registrado nas estações junto ao mar. Nas estações mais afastadas, menor chuva.

O porquê da dificuldade para prever essas condições? Para a previsão do tempo se usa modelos matemáticos baseados em várias informações do comportamento físico-químico dos atores que atuam como temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica etc. em vários níveis (desde o solo até camadas mais altas). Além disso, o comportamento ou interação desses elementos entre a atmosfera, a terra e o mar. Cada um dando suas contribuições. Assim, um modelo trabalha com essas várias questões. Não temos um modelo único, mas vários. Cada um com uma concepção. Ora diferenciada, ora semelhante. Pesos diferentes etc. Além disso, os modelos trabalham com uma grade (resolução espacial) de informações diferentes. Temos modelos globais, regionais e locais. Um exemplo é o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) o “COSMOS”. Segundo o INMET é “O Consortium for Small-scale Modeling (COSMO) faz parte de um consórcio de vários países (Alemanha, Suíça, Itália, Grécia, Romênia, Polônia e Rússia), sendo um modelo de predição numérica de tempo não hidrostático e área limitada, que pode ser processado com resolução espacial, por exemplo, de 7 km a 2.8 km”. Com essas diferenças entre concepções de modelos temos diferenças nos prognósticos. O acerto quanto a chuva é semelhante, ou seja, vai chover ou não. A diferença se dá onde e o quanto.

Finalizando. Para darmos conta das diferenças físicas da própria chuva e da modelagem, utilizamos outros instrumentos para uma melhor aproximação com as imagens de satélite e de radares. Um radar calibrado nos dá uma melhor aproximação. Aqui não entrarei nas questões de impermeabilização do solo, assoreamento dos rios etc. Com todas essas variáveis, mais os aspectos geográficos (relevo, latitude, altitude, continentalidade etc.) torna a ciência meteorológica e climatológica desafiadora.

Mapa com alguns pluviômetros de Itajaí e Navegantes. Veja como a chuva se distribui de forma diferenciada.

Primavera de 2024

Por Sergey A. de Araújo

A primavera astronômica começou nesse domingo às 9 horas e 44 minutos com o equinócio da primavera em nosso hemisfério.

Para os próximos meses até janeiro de 2025 estaremos com La Niña, mas de forma fraca (figuras 1 e 2). A La Niña de forma geral traz para região sul menos chuva e menor temperatura. Contudo outros fatores interferem como a temperatura do oceano Atlântico para o litoral.

A primavera é uma estação de transição, onde em sua primeira parte mantém características do inverno, como agora em setembro, e na sua segunda metade características do verão com maiores temperaturas e pancadas de chuva.

Os modelos não apresentam consenso em relação a precipitação. Os modelos internacionais apontam para chuva na média histórica para o litoral e igual ou menor para o interior (40% de probabilidade) para outubro e novembro. Para dezembro igual ou acima da média para o litoral e igual a média no interior. As temperaturas sempre acima da média. Nos modelos nacionais, especialmente na nota técnica em conjunto do INMET/INPE (Instituto Nacional de Meteorologia/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) “a previsão indica condições favoráveis de chuva abaixo da média climatológica (média histórica) nos Estados do Paraná e Santa Catarina. Já para o Rio Grande do Sul, a previsão aponta para uma tendência de chuvas próximas e acima da média. As temperaturas previstas podem se manifestar com condições predominantemente acima da média climatológica, principalmente no oeste da região”. Contudo seus modelos de setembro apontam para anomalias positivas para o litoral e interior. Valores de até 50 mm acima da média. A média de chuva para nossa região em outubro é de 139 mm. Assim chegaríamos até 189 mm. Para novembro cairíamos numa faixa entre 10 mm positivos até 10 mm negativos para o litoral. Essa condição permaneceria para dezembro com viés para valores negativos. Para o interior até 50 mm menores de chuva para novembro. Em dezembro chuva acima da média no extremo oeste e parte do oeste. Para temperatura levemente abaixo da média para outubro e dezembro e acima para novembro. Dessa forma é necessário o acompanhamento diário. As médias de chuva para Itajaí é de 139, 158 e 156 mm para outubro, novembro e dezembro. A médias das temperaturas máximas e mínimas é de 24/17°C, 26/18°C e 28/20°C respectivamente.

O vento de nordeste será mais frequente nos meses de outubro, novembro e dezembro com velocidade média na casa dos 7 km/h. Para esse trimestre teremos uma cobertura média das nuvens de 70%, ou seja, mais nuvens do que sol. Chance de dias com alguma chuva para esses meses é 19 dias/mês.

Uma ótima primavera!

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño Southern Oscillation – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Figura 2: Modelo de probabilidade de El Niño Southern Oscillation – NOAA/CPC. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Prévia para nosso inverno de 2024

Por Sergey A. de Araújo

O inverno astronômico começará no dia 21 desse mês às 11 horas e 58 minutos com o solstício de inverno e nossa noite mais longa do ano. O inverno meteorológico já começou com esse mês. Estamos em neutralidade climatológico. A “La Niña” se consolidará a partir de julho (figura 1). Como característica geral a La Niña traz temperaturas mais baixas e menos chuva para nossa região.

Os modelos internacionais apontam com consenso para chuva abaixo da média histórica em boa parte do nosso estado, principalmente para o oeste e meio oeste com probabilidade acima de 50% para os meses de junho, julho e agosto. Para setembro ainda permanece as condições de chuva abaixo da média, mas com 40% de probabilidade. Para o litoral catarinense também temos indicativo de chuvas abaixo da média. Probabilidade de 40% para junho e setembro e 45% para julho e agosto. Já modelos nacionais apontam para chuvas acima da média nesse mês de junho junto ao litoral (anomalia entre 10 e 50 mm). Para os meses de julho e agosto chuva abaixo da média com anomalias negativas entre 10 e 50 mm. Vale ressaltar que o oceano Atlântico está mais quente e assim favorece chuvas locais. Isso já ocorreu outras vezes com estiagem mais prolongada no interior e chuva na média ou próximo disso no litoral. A neutralidade e La Niña também trazem irregularidade temporal e espacial da chuva, assim pode chover num lugar e noutro não. Vários dias sem chuva, e depois chove concentrado. É bom salientar que o inverno é a estação do ano com menores índices de precipitação. A média histórica para o trimestre de junho, julho e agosto é de 111, 108 e 91 mm.

Quanto as temperaturas os modelos apontam com consenso valores acima da média com probabilidade de 50%. Os modelos nacionais apontam para anomalias entre 0,4 e 1,0°C acima da média histórica para junho e julho. Em agosto anomalias entre0,2 e 0,4°C acima para nosso litoral. Os dados históricos da média das temperaturas máximas e mínimas para a Itajaí são de 22, 21 e 22°C para as máximas no trimestre (junho, julho e agosto). As mínimas são de 13, 12 e 13°C respectivamente. Mesmo os modelos apontando para temperaturas mais altas teremos frio, só que em períodos menores. Ao final da estação, essa sim, deverá ser mais quente. Lembrando que tivemos mínima absoluta em Camboriú de 2,6°C negativos na década de 40 (estação meteorológico no antigo Colégio Agrícola, hoje, IFC) e em Itajaí a mínima absoluta já registrada foi de 0,5 negativos na década de 90 (estação da EPAGRI/CIRAM no bairro Itaipava).

Outras características do inverno para nossa região é o aumento de passagem de sistemas frontais, ciclones extratropicais e nevoeiros.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Chuvas e mudanças climáticas

Por Sergey A. de Araújo

Uma repórter do grupo (ND Mais) fez algumas perguntas sobre os eventos climáticos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Compartilho com vocês.

Perguntas:

Como as mudanças climáticas impactam nos desastres que atingem RS e SC?

Tem como os municípios preverem essas situações?

Qual a responsabilidade do ser humano nesses desastres?

Resposta:

É necessário a compreensão de que o clima não é estático. Já mudou, e mudará novamente. O que estamos fazendo é acelerar esse processo. Hoje, a maioria dos trabalhos científicos publicados trazem como resultado evidências de mudanças climáticas causadas pelo estilo de vida do homem. A maior evidência é o efeito estufa antropogênico. Os modelos meteorológicos apontam para tendências de elevação da temperatura e os dados registrados indicam isso (figura 1). Com aumento do calor modificamos a dinâmica da atmosfera. Potencializamos processos de evaporação num canto com chuvas mais abundantes, noutro massas de ar quentes e secas mais persistentes. Condições essas muitas vezes acima dos históricos registrados.

Figura 1 – Gráfico da temperatura média anual do município de Itajaí (SC). Fonte: LabClima-Univali/EPAGRI-CIRAM.

Ainda temos os processos atmosféricos corriqueiros na região sul como passagens de sistemas frontais, cavados etc. Adiciona-se a influência do El Niño e La Niña. Nessa mistura ainda é necessário entender o relevo e hidrografia (drenagem) dos estados que compõem a região sul, de modo especial, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Temos serras, vales encaixados, planícies costeiras grandes como o estado gaúcho e pequenas como Santa Catarina. Solos mais rasos, outros mais profundos, e por último a ocupação do solo pela sociedade. Geralmente e quando podem as pessoas tem o hábito de se estabelecerem próximos de rios e em planícies, que de certa forma são mais suscetíveis a inundações.

Em várias regiões dos nossos estados é recorrente processos de alagamentos, enchentes e inundações, como a região do Vale do Itajaí. Tem como parar esses eventos. Não. Temos que conviver com isso da melhor forma. Isso se dá pelo investimento em obras e ações de prevenção e mitigação. Nisso entra obras de drenagem, barragens, parques inundáveis, sistemas de alerta, instrumentos de medição, mapeamentos mais precisos etc. com intuito de retardar o processo de inundação para dar tempo as pessoas salvaguardarem seus bens e suas vidas. Além disso políticas de planejamento municipais, consorciadas, estaduais e federais, pois a água não se importa com limites legais. Nisso entra a retiradas de populações em áreas mais vulneráveis quando possível, marcos legais e fiscalizados inviabilizando o uso das áreas suscetíveis entre outras ações.

Finalizando o mais importante é tratar o assunto com seriedade, planejamento constante, engajamento da população e fluxo financeiro permanente para obras e ações de planejamento e mitigação, e não somente quando ocorre o sinistro, pois só nos resta comoção, mortes e prejuízos.

O outono astronômico começou hoje na madrugada

Por Sergey a. de Araújo

O outono astronômico começou nessa madrugada (00 horas e 6 minutos) com o equinócio de outono no hemisfério sul. O El Niño perdeu força e se encerra nesse mês (figura 1). Para abril e maio estaremos em neutralidade climatológica (figura 2 e 3). Junho começará a virada para o La Niña. Em julho início do inverno estaremos efetivamente com La Niña. Os modelos internacionais sem consenso apontam para chuva na médio ou acima da média (40% de chance) para o mês de abril no litoral norte. Para os meses de maio e junho chuva dentro da normalidade. Os modelos nacionais em seu último boletim técnico apontam para chuva acima da média histórica. Para efeito de comparação os dados históricos para Itajaí de chuva são: 122,3 mm para abril, 119,4 mm para maio e 111,2 mm para junho. Nesse ano em Itajaí tivemos chuva acima da média para janeiro e abaixo da média para fevereiro e até essa data de março conforme a estação meteorológica do INMET localizada no bairro Itaipava. Para esse trimestre a média histórica de dias de chuva é de 18 dias/mês.

Tanto os modelos internacionais e nacionais apontam para temperaturas acima da média histórica para os meses de abril, maio e junho. O comportamento médio esperado das temperaturas máximas e mínimas segundo os dados históricos para esses meses são: 27/18°C, 24/15°C e 22/13°C. Nesse ano o mês de janeiro apresentou temperatura abaixo da média histórica. Fevereiro acima da média e esse mês até ontem 0,8°C acima da média. Desde o último dia 9 as temperaturas máximas ficaram acima dos 30°C.

Lembrando que o outono é uma estação de transição. Em sua primeira parte, características de verão e na segunda do inverno.

Figura 1: Temperatura da superfície do mar (TSM) com média na região NINO34. Fonte: PSL/NOAA – Physical Sciences Laboratory – National Weather Service – EUA.

Figura 2: Previsão para anomalias no El Niño-Oscilação Sul (ENSO). Fonte: NCEP/NOAA – Center for Weather and Climate Prediction – National Weather Service – EUA.

Figura 3: Modelo de probabilidade de El Niño-Oscilação Sul – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Como será nosso janeiro de 2024

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

O fenômeno El Niño se manterá até abril de 2024. Em janeiro é previsto anomalias positivas de 1,8°C para temperatura da superfície do mar do Pacífico Equatorial indicando intensidade moderada (figura). O El Niño traz mais chuva e calor para região sul. Já tivemos chuva acima da média histórica para outubro e novembro. Os modelos atuais, sem consenso, apontam para precipitação na média e/ou acima da média para dezembro e janeiro. A probabilidade é de 40% para chuvas acima da média. A média histórica de precipitação para a região de Itajaí é de 225 mm e 18 dias de chuva em janeiro. Os modelos nacionais apontam para anomalias de até 50 mm acima da média e prognóstico de chuvas entre 260 e 300 mm. Lembrando que o verão é nossa estação mais chuvosa. O recorde de chuva para janeiro em Itajaí foi em 1999 com 500 mm. Para as temperaturas todos os modelos apontam para valores acima da média histórica. A probabilidade é de 70% para acima da média histórica. Como comportamento médio diário utilizamos a média das temperaturas máximas e mínimas. Para janeiro o comportamento da temperatura máxima esperado é de 29,7°C e para mínima é de 21,0°C. A temperatura média para janeiro é de 25,4°C. Os modelos apontam para anomalias maiores que 1°C. Contudo desde maio temos anomalias positivas acima de 1,5°C e essa tendência continuará. Só o mês de outubro ficou na média por causa de muitos dias com chuva e céu encoberto. O recorde da temperatura máxima em Itajaí foi de 38,9°C em 2019. Ótimo janeiro a todos.

Primavera de 2023

A primavera astronômica (equinócio) iniciou nessa sexta-feira às 3 horas e 50 minutos. É uma estação de transição, e assim, na sua primeira parte mantém algumas características do inverno, e na segunda do verão. Lembrando que é uma estação de recuperação das chuvas, mesmo no Sul, onde temos uma boa distribuição anual. Pelos modelos atuais a primavera estará sob a influência do fenômeno El Niño (figura 1) que tem como característica geral para a região sul, maior precipitação e calor.  Os modelos climáticos apontam para chuvas acima de média histórica para o mês de outubro, na média no litoral, e acima da média no interior de Santa Catarina para novembro. Em dezembro na média para o litoral, e alguma divergência quanto ao interior do estado, na média e/ou acima da média. A média histórica da precipitação em Itajaí para o trimestre é 152/151/170 mm. Quanto as temperaturas os modelos não apresentam divergências, indicando temperaturas acima da média histórica para o trimestre. A média das máximas e mínimas é 25/27/28°C e 17/18/20°C para os três meses. Em função das altas temperaturas, torna-se característico   pancadas de chuva com trovoadas aos finais de tarde e noite.

Figura 1: Modelo de probabilidade de El Niño – IRI ENSO. Fonte: International Research Institute for Climate and Society – Earth Institute – Columbia University – EUA.

Calor nesse mês de agosto

Hoje fez calor na região: máxima de 30,8°C em Itajaí, 31,6°C em Camboriú e 34,6°C em Ilhota. O recorde histórico da máxima absoluta em Itajaí foi de 36,0°C em 1993. O interessante é que dois anos antes, em 1991, foi o recorde da mínima com 0,5°C negativo.

Esse mês de agosto está 3°C acima da média histórica (1981 até presente) considerando as temperaturas médias. Contudo esse agosto de 2023 é o quarto mais quente. O recorde da temperatura média para mês foi em 2015. Quando consideramos a média das temperaturas máximas, esse agosto com 23,5°C, é o nono mais quente. O recorde foi no ano de 2005.

Nesse mês de agosto estamos numa gangorra de temperatura – frio, calor, frio, calor. Veja abaixo (dados estação meteorológica de Camboriú):

Primeira semana: mínima de 9,5°C e máxima de 32,4°C

Segunda semana: mínima de 12,1°C e máxima de 23,1°C

Terceira semana: mínima de 9,6°C e máxima de 30,5°C.

Quarta semana: previsão de mínima 10,0°C (domingo) e máxima de 31,6°C.

Para a próxima segunda-feira é esperado mínima entre 6/7°C.

Acontecer isso é normal em nossa região. As causas mais básicas são o El Niño e a entrada de massa de ar quente do centro do país. O frio se deve a passagem de frente fria, e logo em seguida entrada de massa de ar polar. Estamos numa zona subtropical, e o fim da América do Sul, fica logo ali.

Imagem do satélite GOES 16/NOAA/EUA – Canal True-Color + IR 10,35 µm – dia – 23/08/2023 – Hora local: 19:10 – Sul do Brasil. Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)/Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)/Divisão de Satélites e Sistemas Ambientais (DAS) modificado por LabClima/UNIVALI. Clique para ampliar.

Observe a imagem de satélite dessa noite uma frente fria se deslocando pelo nosso estado.

Mudança de tempo para os próximos dias. Chuva para quinta, sexta-feira e sábado. O domingo começará com nuvens, sem chuva, depois o sol aparecerá.

Temperaturas em queda gradativa a partir de amanhã. Na quinta-feira entre 15/24°C. Depois, mínimas entre 10/13°C e máximas entre 15/17°C.

Rajadas de ventos mais fortes, superiores a 40 km/h, entre quinta-feira e sábado. Direção de sul e sudeste.