Chuvas e mudanças climáticas

Por Sergey A. de Araújo

Uma repórter do grupo (ND Mais) fez algumas perguntas sobre os eventos climáticos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Compartilho com vocês.

Perguntas:

Como as mudanças climáticas impactam nos desastres que atingem RS e SC?

Tem como os municípios preverem essas situações?

Qual a responsabilidade do ser humano nesses desastres?

Resposta:

É necessário a compreensão de que o clima não é estático. Já mudou, e mudará novamente. O que estamos fazendo é acelerar esse processo. Hoje, a maioria dos trabalhos científicos publicados trazem como resultado evidências de mudanças climáticas causadas pelo estilo de vida do homem. A maior evidência é o efeito estufa antropogênico. Os modelos meteorológicos apontam para tendências de elevação da temperatura e os dados registrados indicam isso (figura 1). Com aumento do calor modificamos a dinâmica da atmosfera. Potencializamos processos de evaporação num canto com chuvas mais abundantes, noutro massas de ar quentes e secas mais persistentes. Condições essas muitas vezes acima dos históricos registrados.

Figura 1 – Gráfico da temperatura média anual do município de Itajaí (SC). Fonte: LabClima-Univali/EPAGRI-CIRAM.

Ainda temos os processos atmosféricos corriqueiros na região sul como passagens de sistemas frontais, cavados etc. Adiciona-se a influência do El Niño e La Niña. Nessa mistura ainda é necessário entender o relevo e hidrografia (drenagem) dos estados que compõem a região sul, de modo especial, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Temos serras, vales encaixados, planícies costeiras grandes como o estado gaúcho e pequenas como Santa Catarina. Solos mais rasos, outros mais profundos, e por último a ocupação do solo pela sociedade. Geralmente e quando podem as pessoas tem o hábito de se estabelecerem próximos de rios e em planícies, que de certa forma são mais suscetíveis a inundações.

Em várias regiões dos nossos estados é recorrente processos de alagamentos, enchentes e inundações, como a região do Vale do Itajaí. Tem como parar esses eventos. Não. Temos que conviver com isso da melhor forma. Isso se dá pelo investimento em obras e ações de prevenção e mitigação. Nisso entra obras de drenagem, barragens, parques inundáveis, sistemas de alerta, instrumentos de medição, mapeamentos mais precisos etc. com intuito de retardar o processo de inundação para dar tempo as pessoas salvaguardarem seus bens e suas vidas. Além disso políticas de planejamento municipais, consorciadas, estaduais e federais, pois a água não se importa com limites legais. Nisso entra a retiradas de populações em áreas mais vulneráveis quando possível, marcos legais e fiscalizados inviabilizando o uso das áreas suscetíveis entre outras ações.

Finalizando o mais importante é tratar o assunto com seriedade, planejamento constante, engajamento da população e fluxo financeiro permanente para obras e ações de planejamento e mitigação, e não somente quando ocorre o sinistro, pois só nos resta comoção, mortes e prejuízos.